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ESTUDO DO CASO AKAN
Grupos Matrilineares na África Ocidental
Guia de Treinamento
Um exemplo da grande variedade de relações de parentesco
O Canadá tem imigrantes de diversas
origens. Este é um dos diversos factores que contribui para uma enorme
variedade de tipos e funções de família no Canadá. Podemos, portanto,
observar tais variações nas famílias ao analisar a sociedade Akan da
África Ocidental. Veja Imigração
Canadiana (Gana)
A palavra "família" é derivada
do latim famulus, que significa "escravo doméstico". Porém, não
existe uma palavra equivalente na língua akan. A família não é uma
instituição universal. Cientistas sociais assumiram em tempos que a família
nuclear (dois adultos com filhos) era o elemento central ou o pilar de
construção para os sistemas de parentesco. Mas o mesmo não acontece
nas sociedades matrilineares. Na sociedade Akan, a família nuclear não
é o pilar de construção, pois não existe a palavra, não existe a prática.
No entanto, em akan existe duas palavras que estão relacionadas à família.
A palavra "abusua" é um grupo de descendência corporativa, enquanto
que a palavra "fifo" (literalmente pessoas de casa) significa grupo
residencial. O povo akan no Canadá, que fala inglês, quando for fala
sobre a "família" deles em seu país de origem, na verdade, querem dizer
a "abusua".
O que é um grupo de descendência
corporativa? É como uma empresa. A associação é pelo nascimento, não
tem afinidades (pessoas com laços de parentesco pelo casamento). Numa
sociedade matrilinear, isso quer dizer que todos pertencem ao mesmo grupo,
pois suas mães também fazem parte dele. No entanto, o seu esposo ou pai
não pode pertencer à mesma abusua que você.
Veja o Tutorial
de Brian Scwimmer sobre parentesco e organização social.
O grupo tem cerca de 100 a 200 membros.
Não é uma organização comunitária; dentro dele existe uma divisão
entre trabalho e desigualdade. O grupo descendente pode possuir terra,
oficinas, casas e crer em deuses.
Para ajudar a compreender a estrutura,
assuma o ponto de vista pessoal. Seu pai ou esposo não pode pertencer
ao grupo, mas o irmão da sua mãe já pode. O filho da filha da filha
da filha da irmã da mãe da mãe da mãe da sua mãe pertence ao grupo.
Os filhos da sua irmã pertencem.
Um estudante perguntou se a matrilinhagem
akan era como os Povos das Primeiras Nações da costa oeste. Estes povos
são bastante variados, com os tlingit e tsimshian no norte, os haida no
oeste, os wakashan no sul e os salish na costa do sul. Existe uma gama
de misturas de norte a sul, do matrilinear ao patrilinear. Tecnicamente,
os akan têm parentes classificados como “iroquois”
(tal como no sul de Ontário desde Montreal a Windsor). Veja uma lista
dos Povos das Primeiras
Nações da Colúmbia Britânica.
Matrilinhagem não é matriarcado. O sufixo "linhagem" refere-se à descendência, enquanto que o sufixo "arcado"
significa poder. O sistema de parentesco dos akans é linear, e não confere
automaticamente poder às mulheres. Em vez disso, usamos a palavra "ginocracia"
significando que algum poder, riqueza e independência é atribuído às
mulheres. Veja o meu ensaio," Ginocracia
dissimulada". As mulheres tinham estatuto maior do que aquelas em sociedades
ocidentais, patriarcais ou patrilineares. Na África Oriental, por exemplo,
as mulheres são submissas e oprimidas em comparação com as que pertencem
à sociedades Akans. O matriarcado poderia implicar que as mulheres são
automaticamente as líderes, porém isso não se encontra em nenhuma sociedade
conhecida e estudada.
Dissimulado significa escondido. Na sociedade Akan o poder mais elevado, riqueza e independência das mulheres
não é tão evidente. Reconhecimento formal (prestígio) do cargo não
é comum, excepto para algumas mulheres chefe, idosas ou sacerdotisas;
as mulheres consideram útil manter o seu poder oculto.
Na corte do chefe, onde talvez nove
em dez dos anciãos são homens, podem encontrar uma fase difícil no seu
caso, solução de conflitos ou deliberação. Nessa altura fazem uma pausa
e cada um irá regressar à sua casa matrilinear (onde se mantêm os assentos
ancestrais) para "conferenciar com os antepassados." Resulta então
que estão a conferenciar com as mulheres mais velhas da matrilinhagem.
Os akans matrilineares espalharam-se
e expandiram-se, e apoderaram-se de áreas anteriormente pertencentes à
guans patrilineares. A matrilinhagem, baseada em confederações, é a
base para uma organização
mais eficiente para a guerra do que a patrilinhagem onde grupos de descendência
corporativa não tinham mecanismo para a confederação que eram estruturadas
como no exército, com uma linhagem designada para cada uma de quatro posições
de destacamento, vanguarda, esquerda, direita e retaguarda, mais assuntos
internos e superiores. Como uma equipa de futebol americano ou hóquei,
cada um tem um papel diferente, mas complementar tornando-os mais fortes
como um todo.
Uma taxa elevada de divórcio é
funcional em todas as sociedades matrilineares. Quando os membros não
dirigem toda a sua atenção e esforço para os seus esposos, isto apóia
a força da abusua. Maridos e mulheres viveriam juntos temporariamente,
tal como quando estavam na agricultura em aldeias
satélite, ou nas cidades ou vilas para emprego ou comércio. As mulheres
tinham poder, riqueza e independência (particularmente dos pais e maridos),
de tal modo que não dependiam de ficar na família nuclear para segurança
financeira. Freqüentemente os membros da terra natal regressariam
a casa, especialmente para funerais e a Páscoa. O padrão comum era o
marido e a mulher ficarem nas suas casas ancestrais, matrilineares, separados
durante a visita, mesmo quando viviam juntos se encontravam longe da residência.
Esse tipo de comportamento era observado e notado na literatura, crianças
indo da casa da mãe para do pai todos os finais de tarde carregando
a
ceia em cima da cabeça.
Quando um homem tinha duas ou mais
mulheres, cada uma ficaria nas suas casas de linhagem separadas (um homem
não podia se casar com duas mulheres da mesma linhagem, excepto irmãs
gémeas que se tornavam mulheres de chefes). Então ele informaria qual
mulher iria passar a noite com ele daquela vez. Embora permitida, a poliginia
era e é rara, porque a maioria dos homens não consegue sustentar mais
do que uma esposa. Se uma esposa morresse, era responsabilidade de sua
matrilinhagem fornecer uma substituta. A relação matrimonial era o símbolo
da confederação da estrutura matrilinear Oman. Cada matrilinhagem era
considerada como a linhagem da mulher do chefe. Quando um chefe morria,
um novo era eleito pela linhagem e herdava todos os bens e obrigações,
incluindo todas as mulheres. Para muitos deles, isto não envolvia deveres
conjugais, mas era uma forma de segurança para a velhice. Na vila de Obo,
onde fiz a pesquisa para o meu doutoramento, o chefe tinha mais de trinta
mulheres estruturais, mas na prática vivia apenas com uma mulher, a mulher
com quem tinha casado antes de ter sido escolhido para ser chefe.
Os
missionários
suíços chegaram à Costa Dourada em meados do séc. XIX e introduziram muito mais
do que a teologia e o ritual do Cristianismo. Eles procuraram nada menos
que a transformação completa da sociedade Akan num sistema igual ao de
suas origens suíças.
O seu apoio ao ideal da família
nuclear implicava que as mulheres deveriam obedecer aos seus maridos, ficar
em casa para fazer tarefas domésticas e criar suas crianças enquanto
os maridos saíam para trabalhar, assim como abolir a chefia, as matrilinhagens,
os anciãos, os deuses e outras tipos de pensamentos antigos.
A estrutura social cristã, onde
era adoptada, contribuía para o declínio do estatuto da mulher.
Marido e mulher morando juntos na
mesma residência, residência neolocal, não é um elemento fulcral (pilares
de construção), nem estrutura social dos akans. Pode acontecer, e está
correlacionado com o facto do casal estar na sua terra natal ou fora desta.
O sistema desenvolveu-se num passado distante, quando estar fora significava
viver nas aldeias satélite, dedicando-se à agricultura. Quando o casal
regressava à terra natal, cada um ia para a sua casa de linhagem. Porém,
devido a urbanização e a ida dos akans à procura de emprego na cidade,
vilas rurais, ou em outros países, este padrão foi adaptado. Maridos
e mulheres vivem neolocalmente enquanto fora, mas é mais provável viverem
duolocalmente quando na sua terra natal, seja temporariamente para funerais, festivais
e Páscoa, e depois permanentemente para a reforma, especialmente se um
deles conseguir uma moraria.
Este
padrão
de residência duolocal tanto na terra natal ou quando estão fora produz
um padrão doméstico que tem sido interpretado como uma mudança social,
o que é mais aparente do que real, funcionando como se os lares urbanos
representassem o padrão ocidentalizado.
O verbo "casar-se" é usado de modo
diferente na língua akan. A relação pode ser temporariamente descontinuada
se existir conflito entre os cônjuges, e o verbo reflecte isso.
Mulheres idosas têm um grande poder
no governo de assuntos da abusua (linhagem). Muito do qual
não é público, mas oculto. Idosos (9/10 homens) na corte do chefe podem
fazer uma pausa durante um caso para consultar os antepassados. Cada um vai para
as suas casas de linhagem, talvez para tomar uma refeição. E, então,
consultam as mulheres mais velhas na casa de abusua (matrilinhagem).
Os factos são conhecidos dessas mulheres mais velhas, que mantêm-se a
par das linhas de descendência, e influenciam a decisão feita na corte
do chefe ao aconselhar os anciãos durante essa pausa.
Há uma freqüência elevada de separação
e divórcio especialmente após os anos de procriação e educação dos
filhos. Isto é visto como um elemento necessário na manutenção
da abusua (linhagem). Uma taxa elevada de divórcio é comum entre
a maioria das sociedades matrilineares em todo o mundo.
Imigrantes no Canadá têm características
de duas culturas, fazendo com que isso tenha um significado importante
aos emigrantes akans no Canadá. Tal como com a maioria dos imigrantes,
o povo Akan no Canadá retém suas ligações às origens, especialmente
à sua abusua. Uma vez que a residência neolocal é uma parte da
sua estrutura social matrilinear de origem, eles parecem ter sido assimilados
e adoptado o modelo dominante de residência neolocal canadiana.
À medida que um número crescente
de imigrantes vem para o Canadá de sociedades com diferentes estruturas
e funções daquelas dominantes no Canadá, nossa sociedade está a tornar-se
cada vez mais heterogénea. Para os estudantes que agora contemplam suas
carreiras profissionais, para as quais estão agora a estudar criminologia,
acção social, educação para a primeira infância e qualquer outra que
onde seus estudos exijam intervenções ou comunicação com povos de diversas
culturas, pode ser útil observar o sistema Akan para se ter uma idéia
de como um padrão familiar pode ser diferente, embora por vezes parecendo
mais similar do que é.
Consulte os meus ensaios mais técnicos:
Ginocracria
dissimulada e Três almas.
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Matrilinhagem
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2011.08.26
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