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Auxílio,
crédito e redução da pobreza
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.Mobilizadores
-- Notas para orientadores
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Esse
é um pequeno manual, voltado para o trabalhador de campo, para que ele
possa entender os princípios básicos que estão por trás das técnicas
de empoderamento em comunidades de baixa renda.
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| Muitos
cidadãos conscientes têm notado o lado mais duro da pobreza, freqüentemente
através de grandes desastres, alguns naturais, outros de natureza humana. |
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Essas
pessoas têm feito várias coisas para aumentar a renda das vítimas. |
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| Algumas
têm fornecido máquinas de costura, outras comida. |
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Uma
característica comum a todos esses projetos foi que a redução da pobreza
entre as vítimas não pôde ser mantida após a concessão das caridades. |
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Nossa perspectiva
é ajudar aos necessitados a não se tornarem dependentes de uma caridade
contínua (permanecendo na pobreza), mas sim capazes de crescer e viver
independentes.
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| Nos
materiais de treinamento desse website, o tema geral é o de "empoderamento",
onde os beneficiários não recebem caridade, que os vicia na expectativa
de mais caridades, mas são orientados de maneira a se tornarem mais fortes
(empoderados, capacitados) ficando, assim, auto-suficientes e menos dependentes. |
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Existem
doações e doações. Algumas dessas, embora com boas intenções, viciam
os beneficiários a esperarem por mais doações, tornando-os cada vez
mais dependentes. (Veja: A Síndrome da Dependência).
Porém, existem doações à classe pobre que ajudam-os a deixar a pobreza
para trás. São as desse tipo que desejamos e apoiamos. |
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| Aliás,
não somos contra a caridade em situações de emergência. |
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Há
ocasiões em que as vítimas são pessoas desamparadas devido à terremotos,
conflitos civis, temporais, enchentes, guerras, bombas, desastres de avião. |
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| Nessas
circunstâncias temos a obrigação de fornecer alimentos, abrigo, remédios
e assistência à essas vítimas, caso contrário, elas não sobreviveriam. |
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Entretanto,
outras vezes, a caridade se transforma num fardo, perpetuando a fraqueza
e a pobreza, em vez de ajudar a fortalecer as vítimas. |
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Traçar uma linha
entre estas duas situações não é fácil, e mudar de um modo de caridade
para um modo de desenvolvimento também não.
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| Baseando-se
nos princípios de empoderamento, o método de redução da pobreza nesse
material defende a criação de um novo valor agregado (riqueza), além
de evitar a concessão da caridade de modo a aliviar ou diminuir a pobreza,
e o uso de crédito no comércio em vez de subsidiado à taxas acessíveis
de mercado. |
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O que
é fornecido sem remuneração, onde possível, é a estruturação e treinamento
gerenciais necessários para os beneficiários fazerem uso de crédito
para gerar (criar) um valor real agregado (riqueza) para a renda deles. |
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| Bolsas
versus
Empréstimos: |
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| Algumas
pessoas podem alegar que para a geração de renda deveríamos conceder
bolsas-auxílio para as pessoas mais pobres. |
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Bolsas
são como se fossem presentes. Não espera-se que sejam pagas. |
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| Quando
vemos pessoas em situações consideráveis de pobreza, nos sentimos tentados
a dar-lhes algumas coisas. |
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Doações,
contudo, os estimula na expectativa de receber mais. |
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| Doações
de bens necessários à sobrevivência logo após desastres (alimentos,
vestimentas, abrigo, remédios) são muito úteis; caso contrário, elas
não sobreviveriam. |
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A doação
contínua após a recuperação, entretanto, ajuda a criar e intensificar
a Síndrome da Dependência,
e, assim, contribuir para a pobreza. |
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| A
"Atitude Solidária afirma, de maneira
incorreta, que devemos continuar doando-lhes coisas que necessitem. |
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Análise
do Desenvolvimento, em contraponto, nos informa que a caridade não é
sustentável, que contribui para a pobreza a longo prazo, e não ajuda
as pessoas a se tornarem mais fortes e auto-suficientes. |
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| Quando
a sociedade ouve a expressão "geração de renda", logo lhes vêm à cabeça
que a transferência de fundos aos beneficiários é característico à
geração de renda. ... Na verdade, não é. |
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Nenhum
tipo de riqueza é gerada pela mera transferência de dinheiro de um donatário
a outro. |
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| A
transferência alivia os sintomas de pobreza para os receptores, mas somente
a curto prazo. |
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Ela
não ajuda a combater as causas da pobreza, nem a reduz ou a elimina. |
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| Portanto,
o dinheiro que é transferido, sob a nossa metodologia, está na forma
de crédito, ou seja, um empréstimo que deve ser pago. |
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Se
o que os receptores fizerem com os empréstimos resultar em um aumento
de renda, incluindo renda suficiente para pagá-los, assim como ajudá-lo
a ter fluxo de caixa, uma riqueza verdadeira é gerada. |
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Sendo uma vez estabelecido
que empréstimos em vez de bolsas-auxílio vão contribuir de forma mais
ampla para a redução sustentável da pobreza e a verdadeira geração
de valores agregados (riqueza), a próxima questão seria: Devemos pagar
taxas de juros? e a que valores?
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| Novamente,
pessoas solidárias, mas centradas na caridade, podem alegar que, "essas
são pessoas pobres, logo, não deveriam pagar juros ou, pelo menos, que
deveriam ser subsidiados". |
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Como
citado acima, a Atitude Solidária, se praticada, contribui para a pobreza,
não para sua eliminação. |
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| Um
programa direcionado à ajuda comunitária, de modo a tornar seus membros
mais auto-suficientes, é definitivamente um programa de orientação. |
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Quando
você vê um mendigo na calçada e o dá uma moeda, você está treinando-o
a se tornar cada vez mais um mendigo com sua contribuição. |
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Lembre-se da história
de Maomé e a corda na seção Histórias.
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| Quando
o mendigo pediu ao Profeta Sagrado (que descanse em paz) para dar-lhe comida,
o profeta lhe deu uma corda e o instruiu a usá-la indo à floresta e catando
madeira, amarrando-a com a corda, e vendendo sua madeira na cidade para
comprar comida. |
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O mendigo
ouviu seus conselhos e adquiriu capital em vez dos bens de consumo que
ela tinha solicitado. |
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O conselho o ajudou
a criar confiança ao passo que diminuiu a mendigagem dele.
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| Com
esse princípio em mente, nossa metodologia recomenda que o crédito fornecido
seja oferecido da maneira que estiver disponível sem a participação
de seu projeto (seja à taxas justas de mercado ou decretadas pelo governo). |
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Pois,
se você fornecer crédito gratuito ou à taxas subsidiadas, você treina
os beneficiários a serem capazes apenas de operar com essas taxas, o que
não ocorre no mundo real. Portanto, você deve treiná-los para a realidade. |
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| Se
você olhar o mercado ilegal de empréstimos ("agiotas"), verá que a taxa
de juros subirá a níveis criminalmente extorsivos, algo como 200% ou
mais. |
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No
sentido geral de nossa metodologia, você estará assistindo aos receptores,
no final, a se tornarem qualificados para empréstimos bancários, a e
serem capazes de evitar a dependência de agiotas. |
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O crédito fornecido
nesse método de redução de pobreza deve ser fornecido à taxas de juros
acessíveis; não de graça, nem subsidiadas.
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| Muitas
religiões,
especialmente as de tradição judaica, cristã e islâmica, têm regras
contra empréstimos e taxas de juros altas. |
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Isso
acontece por causa dos níveis extorsivos das taxas de juros, que culminaram
em roubos. Os agiotas têm sua existência desde os tempos bíblicos. |
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| A
cobrança anormal de altas taxas de juros é chamada de usura. |
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Não
defendemos a usura aqui. |
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| Quando
você trabalha num projeto para a geração de renda como esse, em uma
sociedade islâmica, você talvez se imagine em um terrível dilema: (1)
a redução sustentável da pobreza requer a cobrança de taxas de juros
e (2) a religião proíbe a cobrança de taxas. |
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Não
se preocupe; existe uma solução. Recomendamos que faça exatamente o
que os bancos fazem nos países islâmicos. |
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| A
cobrança de juros em empréstimos é, na verdade, uma taxa de aluguel
para um empréstimo temporário de dinheiro. E a cobrança de aluguel por
outras razões, como alugar uma casa ou um carro, também é permitida. |
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Os
bancos cobram uma taxa de serviço ou taxa locatária, em vez de juros.
Descubra o que elas são e solicite o mesmo no seu projeto de geração
de renda. |
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Evite a Abordagem
Solidária, assim como a usura.
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| Quem
executa as transações bancárias? |
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| Enquanto
esse método defende a idéia de que o dinheiro a ser usado pelos beneficiários
seja concedido à justas taxas justas de mercado, também se defende a
idéia de que o crédito seja obtido pelos beneficiários junto à bancos,
cooperativas de crédito ou outra instituição similar licenciada a operar
práticas bancárias. |
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É
melhor conceder o empréstimo (ao amplo grupo de receptores que você organiza)
por intermédio de um banco do que tirá-lo de seu bolso. Isso melhora
a transparência e também lhe ajuda a se proteger de acusações (e tentações)
de corrupção e desvio de dinheiro. |
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Se você e sua agência
ou departamento, responsáveis pela organização e fortalecimento das
comunidades, lidarem com os empréstimos, sua habilidade de fortalecer
e mobilizar se enfraquecem. Talvez você seja honesto, mas será suspeito
de usar o dinheiro para uso pessoal e não terá credibilidade. Descredibilidade
reduz sua eficácia.
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| Melhor
do que conceder bolsas aos receptores, use o dinheiro para treinamentos
que sejam integrados à provisão de crédito. |
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Melhor
do que subsidiar as taxas a serem pagas no empréstimo, use sua soma para
treinamentos. |
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Treine seus beneficiários
para que sobrevivam e cresçam mais fortes no mundo real das taxas de crédito.
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| Esse
manual explica por que, quando se quer fortalecer os beneficiários, se
deve evitar a dependência e ajudá-los a se tornarem auto-suficientes.
Para isso é necessário que você evite a caridade sob a forma de bolsas
ou dinheiro, empreste dinheiro como forma de crédito (através de instituições
financeiras licenciadas) e cobre taxas de juros acessíveis em cima do
crédito. |
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Se
alguma coisa tiver que ser fornecida de graça, não será o dinheiro,
mas organização e orientação. |
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