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Notas para
o instrutor
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A mobilização
de uma comunidade não se começa sem preparação ou da noite para o dia.
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Preliminares da mobilização
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Após o mobilizador tiver sido devidamente
treinado, ele deverá, então, preparar a comunidade antes do início da
mobilização. Pois não se deve começar sem planejamento e preparação,
e sem que os pré-requisitos necessários tenham sido alcançados.
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Se você está organizando o treinamento
de mobilizadores, usando este material, pode enxergar este módulo como
um modelo para instruir mobilizadores em potencial para as primeiras tarefas
deles. Novamente, damos incentivo ao ato de "agir"
como a melhor maneira de se aprender novas habilidades. Portanto, você
poderá preparar este treinamento, aumentando o número de atividades práticas
enquanto os participantes aprendem a mobilizar.
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Esta seria a hora ideal para você
lembrá-los do quão importante é para que criem e mantenham um diário
de atividades. A forma como seus alunos trabalha nas comunidades está
diretamente ligada à quantidade de informação que possuem sobre a situação
e a natureza da comunidade. Mais adiante, lembre-os de que não trabalharão
para sempre naquela comunidade específica e que precisam iniciar a elaboração
do material que orientará seus sucessores. Se eles não o fizerem, e acabarem
abandonando o trabalho, o próximo mobilizador deverá começar tudo de
novo, e não terá como se basear em observações e experiências passadas.
Lembre ao seus alunos para começarem e manterem seus diários
atualizados.
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Esta é, portanto, a fase onde o mobilizador
precisa preparar a comunidade para que suas ações sejam feitas com eficiência.
Dê uma olhada no módulo "Métodos
de treinamento". Veja o material sobre Jogo
de Interpretação de Papéis. Cabe à você decidir como criar uma
sessão deste tipo, e há muitas maneiras de fazê-lo. Como por exemplo,
você pode dar a cada aluno um papel como se fossem membros da comunidade,
como o chefe local, o conselheiro ou prefeito, um oficial da justiça que
dá licenças ou certificações para trabalhadores de campo (caso exista
este cargo), um diretor ou supervisor do mobilizador e outros cargos que
representem a situação local. Ao criar estes jogos de interpretação
de papéis, os alunos conseguirão entender os diferentes tipos de pessoas
que encontrarão durante o processo.
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O Ciclo de Mobilização
...
Quando seus alunos começarem, seus
trabalhos seguirão o contexto de um ciclo de mobilização. Portanto,
eles devem ter pelo menos uma idéia geral sobre o ciclo. Se quiserem ou
necessitarem de mais detalhes, você poderá adicionar materiais do módulo
de treinamento Ciclo
de mobilização.
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Neste caso, não mostre simplesmente
o ciclo ou dê-o impresso em um papel. Mas pergunte aos alunos sobre os
elementos que o compõem, e escreva-os no quadro. As etapas do ciclo também
podem ser apresentadas em uma lista vertical: avaliar as necessidades,
escolher um projeto comunitário, planejar o projeto, implementar o projeto
e avaliar o projeto. Não apresente aos alunos todos os elementos logo
de primeira. Questione-os, pois assim eles irão acabar descobrindo por
si próprios. Desenhe uma seta do último item para primeiro, indicando,
assim, a repetição do ciclo.
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Uma sessão desafiadora seria escolher
vários alunos para terem como "papel"
cada estágio do ciclo. Poderiam usar grandes crachás de papelão com
o nome de cada estágio. O que dirão quando forem apresentar o ciclo que
cada um representa? Isso cabe a eles, mas se conseguirem fazê-lo, peça-os
para falarem novamente ou pergunte aos outros participantes. Porém, dessa
vez terá de ser sem falar, apenas com gestos ou exibições. Isso pode
ser muito divertido, gerando muitas risadas e até mesmo tentativas desengonçadas.
Mas ajudará a fixar o ciclo na cabeça dos alunos, especialmente os princípios
e, quem sabe, até mesmo os detalhes.
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Temos neste site uma apresentação
em Power Point do ciclo de mobilização feito pela ilustradora Julianna
Kuruhiira (mais elaborado e detalhado). Se você tiver como apresentá-lo
em uma tela, seria uma ótima maneira de diferenciar um pouco as sessões
de treinamento. Uma outra sugestão seria utilizar um microcomputador e
mostrar aos alunos em grupos de três ou quatro. Veja Ciclo
de Mobilização. (Ao clicar em Power Point, a apresentação começará
imediatamente; e, então, você poderá salvá-la em seu computador escolhendo
no menu a opção "Salvar como").
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Lembre aos seus alunos que o trabalho
deles é baseado no ciclo e que a comunidade não se desenvolve apenas
com um projeto, mas que o ciclo deve ser repetido e modificado conforme
as condições atuais.
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Obter permissões
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Como treinador, você deve explicar
aos seus alunos de que precisam de dois tipos de permissões
para que possam começar os trabalhos em cada cidade. Uma é a formal,
legal ou oficial, e a outra a informal ou não oficial.
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As formais são geralmente simples
e diretas. Porém, lembre-se que "simples" nem sempre quer dizer "fácil".
As formalidades costumam variar de país para país, assim como de região
para região ou cidades. E já que, na maioria das vezes, usam-se leis
e regulamentos governamentais, elas ficam registradas em algum lugar.
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As permissões formais são mais difíceis
de se definir, pois não são claras e possuem limites indefinidos. Basicamente
isso quer dizer que dependemos da boa vontade das autoridades e dos líderes
da área para que, então, possam se tornar aliados em vez de obstáculos.
A cooperação deles pode ser valiosa e a oposição desastrosa.
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É fácil saber quando permissões
formais são concedidas, geralmente é pelo recebimento de uma carta ou
de um certificado assinado. No entanto, não há uma maneira clara para
as permissões informais. Portanto, explique aos seus mobilizadores de
que precisarão estar constantemente obtendo permissões informais ao longo
do processo de mobilização em cada área.
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Um bom exercício em uma sessão de
treinamento é fazer com que os alunos elaborem definições dos dois tipos
de permissões para a região deles.
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Esta é também uma boa opção para
uma sessão de interpretação de papéis. Divida os alunos em dois grupos
de duas a cinco pessoas destinados à duas áreas quaisquer. Em um grupo,
terá o mobilizador, e no outro o oficial principal que tem o poder de
dar certificados permitindo ao mobilizador trabalhar na área escolhida.
O resto dos participantes serão os conselheiros de cada um. Então, diga
aos conselheiros para orientar o que dirão o mobilizador e o oficial principal.
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É de suma importância que o grupo
de conselheiros do oficial gere o máximo de suspeitas, suposições e
medos possíveis conforme acharem relevante. Por outro lado, o grupo de
conselheiros do mobilizador deve gerar todos os benefícios para a comunidade
e para o líder desta, que irá unir as daquela área onde estão sendo
mobilizadas para tornarem-se mais auto-suficientes.
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Separe os dois grupos, pode ser cada
um em um canto da sala, e dê a eles de 10 a 15 minutos para se prepararem.
Depois, junte-os novamente junto com outros os alunos (aqueles que serão
a "audiência" da peça ou ensaio). Peça-os para criar um cenário onde
um mobilizador bate na porta do oficial e pede permissão para mobilizar
uma comunidade na área.
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Quando o grupo de alunos for muito
grande, pode-se fazer essa encenação várias vezes. E após uma ou duas
sessões, para não ficar uma coisa repetitiva, você pode adicionar no
jogo um terceiro grupo com um personagem "cômico". Este grupo aconselhará
um bisbilhoteiro local ou um repórter, que por acaso estará no escritório
do oficial, fuçando tudo à sua volta. Além de levar perguntas inesperadas
e capciosas para a discussão.
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Após as sessões de interpretação
de papéis, uma reunião é muito importante. Você poderá querer resumir
no quadro todas as questões que o oficial poderá fazer ou aquelas em
que a comunidade não está ciente ainda e os argumentos que o mobilizador
poderá usar. Peça ajuda a todos os seus alunos para criar as listas no
quadro. Assim, faça esse jogo e essa reunião posterior mesmo quando permissões
formais não forem concedidas, pois os argumentos usados são úteis para
os alunos entenderem seus papéis.
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Aumentar a conscientização
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O processo de aumento
da conscientização na população como um todo é bastante parecido
com aquele de obtenção de permissões não oficiais de autoridades locais.
Diga a seus alunos que precisam sempre estar fazendo (e mantendo) aliados
e o apoio da população em geral.
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Em sua sessão de treinamento, procure
usar o mesmo tipo de Jogos de Interpretação de Papéis com diferentes
tipos de personagens "cômicos", assim como a reunião após as sessões.
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Lembre aos alunos que o trabalho deles
ao aumentar a conscientização é evitar que surjam falsas expectativas.
Além disso, incentivar participação da comunidade não quer dizer que
o mobilizador deve passivamente concordar com seja lá qual for o objetivo
principal escolhido pelos membros mais participativos da comunidade. O
mobilizador deve, com jeito, desafiar as simples e pequenas sugestões
vindas da comunidade. Você deve guiar a comunidade durante o Jogo de Interpretação
de Papéis, como por exemplo, dizendo-os para pedir por uma clínica com
um médico, e o papel do mobilizador neste jogo seria perguntar se tal
pedido seria para a diminuição de doenças. Caso seja, então, um abastecimento
de água limpa e saneamento básico pode ser a melhor solução. (Veja
o módulo Água).
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Unificação
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Você precisa se certificar que seus
alunos não tenham um pré-conceito de que comunidades são naturalmente
unificadas (unidas). A palavra "comunidade" confunde por possuir em sua
composição a palavra "unidade". Popularmente, tem-se o conceito de que
comunidades são como lugares tranqüilos onde todos se gostam, se conhecem
e se ajudam. Veja Unificação.
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Este conceito é bem conhecido por
sociólogos. Em módulos posteriores, mais textos sobre Sociologia
serão incluídos no treinamento, e conflitos começarão a surgir. Por
razões prática, especialmente nesta fase introdutória do treinamento,
é suficiente apenas informar aos seus alunos que em toda comunidade há
muitos conflitos escondidos (alguns nem tanto assim) e rivalidades entre
pequenos grupos. A desunião enfraquece comunidades. Uma parte importante
do trabalho do mobilizador, contudo, é convencer os membros da comunidade
a deixar de lado as diferenças para poderem contribuir para o fortalecimento
das atividades da mesma.
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Os alunos precisam aprender que unificação
não é uma simples etapa no trabalho deles. Que não podem unificar uma
comunidade (de uma vez por todas) e depois irem fazer outras coisas. Esse
é um esforço contínuo que permanece durante todo o trabalho deles na
comunidade.
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A desunião pode ter sua origem em
diversas coisas, como por exemplo:):
-
competição entre várias linhagens ou
clãs;
-
diferenças em relação à propriedades
(como Karl Marx escreveu:
"trabalhadores versus proprietários"; e
-
diferenças entre:
-
línguas,
-
crenças e práticas religiosas,
-
organização familiar,
-
grupos étnicos (também chamados de "raças"),
-
gênero,
-
idade, e
-
desabilidades ou deformidades físicas
ou mentais
–ou
seja, praticamente qualquer variação nas características sociais (i.e.
características físicas que possuem conceitos sociais atribuídos à
elas).
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Às vezes, um mobilizador precisa aceitar
os costumes e práticas locais e trabalhar em conjunto com elas, ou insistir
na inclusão de algumas facções nos encontros comunitários que por algum
motivo foram ignoradas no passado. Cito agora dois exemplos de experiência
própria:
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Ao se trabalhar em comunidades islâmicas
conservadoras, por exemplo, há muitas restrições em relação à liberdade
da mulher. Assunto esse que precisamos tratar com delicadeza. No entanto,
com a benção e cooperação dos malaams, conseguimos fornecer um treinamento
em trabalho social para mulheres com o uso apenas de instrutores do sexo
feminino e com trabalhos feitos apenas em suas casas. (Veja CBSW).
..
Em contraste, no norte de Gana, onde
há uma crença islâmica mais moderada em alguns lugares, fizemos encontros
comunitários para determinar suas prioridades. Porém, se apenas homens
comparecessem, explicaríamos educadamente que todos devem participar.
E sem revelar nosso propósito, adiaríamos para o dia seguinte. No segundo
dia, mulheres e outras minorias sociais compareceram ao encontro.
..
Veja também o módulo Igualdade
entre os gêneros.
Há várias maneiras de se transmitir
seu objetivo. Se você conhecer algumas das maiores divisões de onde irá
aplicar o treinamento, então poderá criar diversas sessões de jogo de
interpretação de papéis onde os alunos representarão diversos papéis,
e um mobilizador (junto com seus conselheiros que serão outros alunos)
deve elaborar estratégias para apresentar durante o jogo.
..
Você também pode contratar especialistas
que possam fornecer treinamentos nesta área. Em meu trabalho na África,
por exemplo, para desenvolver estratégias para igualdade de gêneros,
descobri que lá havia especialistas nesse assunto e que estariam dispostos
a ajudar durante as sessões de treinamento.
..
Discurso público
..
Uma das características mais importantes
que um mobilizador precisa ter é a habilidade de falar
em público.
..
Embora a maioria pense que uma pessoa
já nasce com este dom, é possível aprender uma série de técnicas relacionadas
a ele. No entanto, o maior obstáculo é o medo, a ansiedade ou a preocupação.
Mas, ao superar estas emoções, pode-se aprender e melhorar esta habilidade.
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Uma bom discurso público consiste
não apenas na capacidade de se falar em voz alta, calma, clara e com uma
linguagem simples, mas também na habilidade de saber escutar o que os
outros dizem, antecipar o que irão falar mesmo quando estão calados,
e criar um vínculo com a platéia. Um mobilizador não só deve respeitar
os membros da comunidade, mas fazer com que percebam que são respeitados.
E isso se faz através de uma apresentação em público.
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No entanto, procure não assustar aos
seus alunos listando todas estas coisas de uma vez só na primeira apresentação,
pois elas podem parecer exigentes demais. Eles ficarão mais apreensivos
após descobrirem que podem aprender e praticar todas estas técnicas aqui
descritas, começando pela sua sessão de treinamento.
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É neste momento onde o "aprendizado
através da ação" é mais eficaz.
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Se você fizer um workshop de treinamento
de cinco dias, poderá criar cinco ou seis pequenas sessões sobre a maneira
de como se falar (discurso). Você pode criar um jogo onde se pede à uma
pessoa para ficar de frente para o grupo. E, então, escolha um tópico
qualquer e peça a pessoa para falar sobre esse assunto por dois minutos.
Mas é importante que também se incluam palavras que não estão relacionadas
ao workshop ou à mobilização (i.e. bananas, parentes, tampas de lixo,
etc).
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Digamos que você tenha criado workshops
de treinamento todo mês (é o que recomendamos) para um grupo de mobilizadores.
Então, este tipo de sessão de apresentações pode ser feito todo mês.
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Outro tipo de abordagem seria pedir
ao locutor para sair da sala de aula por dois minutos e pensar sobre o
tópico que lhe foi dado. Enquanto isso, sem que ele saiba, diga ao resto
dos alunos para mudarem o tópico para um outro qualquer sem mencionar
especificamente aquele que desejam. Por exemplo, foi dado ao locutor o
tópico "mudar um carburador", enquanto o grupo escolhe outro tópico sem
ser muito específico, tal como "vender ostras". Então, é dado quatro
minutos para o locutor falar de seu tópico, assim como descobrir qual
foi o tópico escolhido pela audiência e relacionar os dois, ou falar
apenas sobre o tópico da audiência.
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É nestas sessões onde você deve
ser bastante cauteloso em relação à critica, pois isso tende a desencorajar
e impedir que pessoas tímidas (especialmente em situações relacionadas
à fala) desenvolvam as habilidades necessárias. Deve-se aproveitar este
momento também para apresentar os princípios básicos de uma sessão
de brainstorm ou do termo "Sanduíche
de m*rda", muito útil em gestão. Você pode também pegar emprestado
um procedimanto dos encontros de AA1, onde
pede-se à audiência para aplaudir toda vez que alguém fala, independente
do que foi dito.
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Se você tiver acesso à uma filmadora,
este é um recurso que poderá ser muito útil. Você pode gravar o que
cada pessoa falar e depois dar a fita correspondente à cada uma disponibilizando
uma sala particular com uma pequena tela (e se possível fones de ouvido)
para que possam ver como se saíram nas apresentações, ou se alguns preferirem,
deixe que levem cada um a sua fita para casa (caso tenham os equipamentos
necessários para assití-la). E depois dê-os a opção de apagar a fita
ou mostrá-la aos seus amigos.
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Desafiar a comunidade
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O conceito central da sociologia de
empoderamento diz que um organismo fica cada vez mais forte através da
luta, do esforço ou da prática. Este princípio é a base de nossas idéias
quando recomendamos que você treine mobilizadores de forma mais eficaz
através de situações onde possam trabalhar na prática todos os conceitos
abordados, em vez de ficar apenas em conceitos e teorias. Além de ser,
também, a base em relação ao uso de uma abordagem de caridade; dar aos
pobres não os fortalece ou os torna mais independentes, pelo contrário,
faz com que fiquem à espera e dependentes de mais doações.
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Um exemplo de jogo de interpretação
de papéis que seus alunos podem fazer é o falado no manual Desafiar
a comunidade. Arrume dois grupos. Um contendo o "mobilizador" e seus
conselheiros, e o outro sendo a comunidade. Você pode usar o manual, e
então instruir à comunidade para pedir por uma clínica e ao mobilizador
para desafiar esta escolha e tentar convencer aos membros da comunidade
de que um fornecimento de água límpa seria a maneira mais eficaz de se
diminuir o número de doenças.
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Peça aos alunos para sugeriram outros
tipos de cenários e papéis para o jogo onde os membros da comunidade
pediriam por algo e o mobilizador faria-os pensar melhor sobre este pedido
fazendo com que fizessem escolhas mais perto da realidade.
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Organizar para fortaceler
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Outro princípio principal da metodologia
de empoderamento (depois do "esforço para se fortalecer") é a organização
produz força, e consequentemente, uma melhor organização gera uma
força maior.
..
A teoria sociológica deste princípio
deriva das obras de Max Weber,
que escreveu sobre as características das burocracias que as davam poder.
Apesar deste não ser o local ideal para se ensinar sociologia (este tema
será abordado mais tarde em outros documentos de treinamento), é importante
para você, como instrutor de novos mobilizadores, reconhê-la no treinamento.
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Organizadores de sindicatos sempre
souberam que se você pega um grupo desorganizado de pessoas (trabalhando
em uma mesma companhia) e une-as para que tenham como objetivo a mesma
causa, assim como ajudá-las a se organizarem em um único grupo social,
elas ganham poder. Donos de negócios e gestores não costumam gostar de
sindicatos por eles terem um poder enorme usando-o para proteger a si mesmos
de baixos salários injustos, assim como de condições perigosas de trabalho.
..
Este princípio se aplica à qualquer
grupo, e aqui é usado como parte do empoderamento de comunidades.
..
Como apresentar estes princípios aos
seus alunos?
..
Até agora, nos manuais para instrutores
recomendou-se usar sessões com jogos de interpretações de papéis e
colocar os alunos em diversos tipos de papéis e situações que ocorrem
durante o processo de mobilização comunitária. Isso aperfeiçoa as habilidades
deles e também fornece insights de situações e atitudes de pessoas
que possam vir a encontrar e trabalhar com elas no fortalecimento da comunidade.
Essa sessão pode ser uma onde outros tipos de treinamento são mais apropriados.
..
Explique o princípio e mostre como
ele poderia ser aplicado também em times de futebol com níveis de habilidades
iguais. Peça aos alunos para identificarem outras situações onde um
grupo organizado pode ser mais eficaz que um desorganizado, porém com
características semelhantes. Liste estes exemplos no quadro. Comece com
times de jogos, tais como futebol. Mas depois mude para outros tipos, como
grupos de militares lutanto uma guerra ou fabricantes produzindo produtos
similares. Será que os alunos poderão sugerir novos tipos de exemplos?
..
Se você tiver um grande grupo de alunos,
divida-os em pequenos grupos para elaborar um argumento a favor do ato
de organizar, e como esta organização seria. Pode-se dizer a um grupo
para escolher um exemplo militar, outro um exemplo comercial, outro uma
atividade religiosa (caso seja apropriado), e assim por diante. Peça a
cada grupo para decidir como a organização deve ser para que ela seja
mais eficiente. Peça a um representante de cada grupo para informar a
todos os outros alunos. Uma lição importante é que a auto-organização
é um processo de fortalecimento, e que não é restrito apenas à comunidades.
..
Conclusão; Treinar mobilizadores:
..
Os métodos aqui apresentados servem
para você incentivar os alunos a aprenderem como a mobilização pode
ser variada e interessante. Não é um processo que deve ter apenas teoria,
mas também diversos métodos que façam os alunos participarem de maneira
ativa em seu próprio aprendizado. A diversidade ajuda a manter o processo
novo, além de melhorar a capacidade de entendimento e o interesse.
..
Não se prenda a métodos ortodoxos,
ou mesmo a guias passo-a-passo. O treinamento será mais inovador, mais
desafiador e mais excitante se você criar novos métodos.
..
Além disso, você poderia levar instrutores
de fora para darem pelo menos algumas sessões em cada workshop
de treinamento. Mantenha-o inovador, trocando os apresentadores entre cada
sessão. Da mesma forma, varie o tipo de atividades: use slides, transparências,
vídeos, shows de fantoches, apresentações em quadros de feltro, jogos
de apresentações de papéis, grupos de dança e artistas locais, coros
musicais e grupos culturais.
..
Até um jogo de interpretação de
papéis pode ser variado; tente fazer os alunos manipularem fantoches em
vez de usarem o corpo. Como uma alternativa, também podem criar imagens
para uma apresentação num quadro de feltro.
..
A diversidade é um ótimo tempero
pedagógico.
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nota 1. AA = Alcoólicos
Anônimos
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