. Os fenícios fizeram comércio ao longo da costa Ocidental de África durante três mil anos. Os seus descendentes são os comerciantes Sírios e Libaneses que se estabeleceram nas cidades e povoações costeiras. Os comerciantes europeus mais antigos, os Portugueses, chegaram pela primeira vez a Elmina em 1472. Chamaram-lhe "A mina" devido à enorme quantidade de ouro para venda. Dez anos mais tarde, construíram o Castelo Elmina, em 1482, dez anos antes de Colombo. Não havia procura de escravos no Pacífico, na altura, porque o hemisfério Ocidental não era conhecido e as plantações de açúcar estavam ainda por construir. Por troca com ouro, os Portugueses vendiam escravos (de São Tomé) à população de Elmina. . Os documentos escritos não revelam até hoje o que era comido ao longo da costa, mas relatórios orais indicam que o sorgo e o milho Guineense eram cultivados nas planícies Accra, sendo fermentados para fazer dokonu (kenkey). Mais tarde, o milho foi trazido pelos Europeus, da América onde o encontraram para o Ocidente Africano. . O milho é hoje tão importante em Accra, que são realizados rituais anuais para o celebrar pelas pessoas Ga-Adande da costa. Segundo a minha própria pesquisa no meio dos Kwawu na floresta tropical, o milho cultivado no seu vale, nas encostas a Norte de Kwawu, era uma das plantas que o Nansin , espírito tutelar, proibiu. Dokonu (kenkey) é uma comida
com raízes profundas na cultura Akan, pelo que é provável que retroceda
mais na história do que a introdução Europeia do milho, ainda que actualmente
o milho seja o seu único ingrediente com amido. Nos famosos contos
Asante, conhecidos como Kwaku Anansi (Aranha nascida numa Quarta), uma
das personagens populares é Dokonu Fa (Meia bola de Kenkey)1
“Quando os Europeus chegaram, trouxeram novas ideias e costumes. Enquanto os Akan celebrariam o dia de nascimento como um Sabbath pessoal, como faziam os espíritos tutelares (Deus Supremo ao Sábado, Terra-Mãe na Quinta, Oceano na Terça, cada rio ou grunoa no seu dia específico), os Europeus descansavam ao Domingo, iam ao seu pequeno templo especial e conduziam as suas actividades espirituais. As pessoas que os viam começaram a suspeitar que as mulheres Europeias traçavam as pernas até Domingo para que todas as crianças nascessem ao Domingo. O nome da alma (veja 40 Dias) era, por isso, para os homens Akwasi (Kwesi) e para as mulheres, Akosua. Já que nos seus livros (as bíblias) se liam regras e regulamentos especiais, especialmente para debater um aspecto, as pessoas pensaram que eles estavam a citar novos provérbios. A população Akan citou provérbios para fazer valer um ponto de vista desde sempre. A frase "ne o bu be fufero ni” que significa "eles que trouxeram novos provérbios" foi atribuída aos Europeus. Eventualmente, "o bu be fufuro ni” foi contraido para "Obruni", a palavra corrente para Europeus (mzungu em Swahili).” "Mais tarde, quando o milho foi introduzido pelos Europeus, chamaram-lhe aburu, indicando que era a comida dos Obruni."Dokonu (kenkey) é um delicioso prato feito a partir de milho. A refeição de milho húmido é deixada a fermentar de três a sete dias, e então transformada em bolas e estufada. Em Acra, Ga Kenkey é embrulhada nas folhas que cobrem as espigas, enquanto que Fante Kenkey, feito em Cape Coast, é embrulhada em folhas de bananeira. O sabor corresponde a esses embrulhos diferentes durante a cozedura. As folhas de bananeira dão um sabor ligeiramente amargo, e, visto que o embrulho quase veda o ar, Fante kenkey é melhor para ser carregada em viagens de longa distância. O kenkey de Acra tem um sabor mais doce, fazendo lembrar milho doce. O milho branco é o preferido para fazer kenkey. . Na divisão de Economia Doméstica e pesquisa agricultural da Universidade de Reading, RU, o kenkey foi estudado, e provou-se que o processo de fermentação adicionava proteínas ao kenkey, numa forma mais digerível que a proteína da refeição de milho original utilizado para fazer kenkey. . Pouco após a independência do Gana, em 1957, a USAID importou grande quantidade de milho amarelo rico em proteínas. Os doadores ficaram atónitos quando viram que o milho não era comido, mas dado a animais domésticos. Quando lhes perguntaram, as pessoas disseram que a razão era que o prato de milho da USAID era "milho amarelo" e, como tal, servia apenas para animais. . Os funcionários da USAID tomaram-se por culturamente sensíveis, pelo que voltaram aos EUA e assinaram contractos com institutos de investigação e universidades para desenvolver milho branco rico em proteínas. Isto levou vários anos, e em 1971 trouxeram o novo milho branco para o Gana. . Para seu choque e surpresa, as pessoas deram o novo milho aos animais. . "Porquê?" perguntaram os funcionários da USAID. "Porque isto é milho amarelo, não serve para humanos" foi a resposta. Os funcionários da organização ficaram vexados e intrigados. Para eles o novo milho parecia branco, e sabiam que era nutritivo. Finalmente um antropologista, especializado em línguas do Ocidente Africano, resolveu o mistério. . Para a população Akan, na linguagem Akan, a palavra "amarelo" não descreve uma cor, como seria entendimento dos Europeus. Era uma indicação de que a espiga de milho continha proteínas demais. A proteína não fermenta quando se faz kenkey, apenas apodrece, não sendo comestível. Precisavam de um milho com conteúdo rico em amido que fermentasse para fazer kenkey. O processo de fermentação adiciona 20% de proteína ingerível ao kenkey do que estava inicialmente no milho.
Os Europeus (Kwasi Bruni) têm muito a aprender sobre cultura Africana, especialmente que eles (nós) não somos os únicos possuídores da sabedoria, e devíamos aprender a não ter pressupostos etnocêntricos. . Algumas referências on-line: Kenkey para crianças; NCBI (nutrição); Kenkey para turistas. Anansesem. Histórias dos deuses do céu. Contos Ananse. .. Nota: 1. Os contos da aranha da floresta tropical são equivalentes as histórias da lebre na savana. Estes contos tornaram-se nas histórias da Tia Nancy nas caraíbas e nas histórias do coelho Bre'r no sul dos EUA. Alguns analistas vêem o Kwaku Ananse, o malandro, como a manifestação mortal de Deus.
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