 |
A modernização e o declínio
no estatuto feminino;
Ginocracia encoberta numa
comunidade Akan
por Phil
Bartle, PhD
traduzido por Eduardo
Félix
|
.
.
|



..
Ginocracia encoberta
...
Vários antropólogos indicaram prontamente
(a feministas) que a noção de um matriarcado primordial não se baseia
em factos empíricos. Muitas sociedades contemporâneas caracterizam-se
pela matrilinhagem, todavia, e muitas sociedades antigas são conhecidas
por terem reconhecido a descendência matrilinear. Alguns cientistas
sociais começam e acabam o seu argumento apontando que a matrilinhagem
não é matriarcado. O que, contudo, não é o fim. A discussão
continua aqui com referência a uma comunidade matrilinear.
...
Num conjunto de ensaios relativos ao
papel feminino sócio-cultural, os autores indicaram que a "assimetria
sexual é, presentemente, um facto universal da vida social humana" (Rosaldo
and Lamphere, 1974:3), mas afirmaram que o grau de desigualdade é uma
variável cultural, que não é determinada por causas biológicas ou outras
socialmente imutáveis. Através da descrição das relações entre
sexos numa comunidade, este ensaio complementa o quadro de numerosa variedade
cultural na desigualdade sexual, e, implicitamente, fortalece o movimento
que visa eliminar tal assimetria. Aqui, na comunidade Akan, examinamos
as dimensões da desigualdade segundo a forma como se aplicam às mulheres:
"poder" ou habilidade de afirmar uma perspectiva não obstante potencial
oposição, "autoridade" ou exigência legítima de obediência, "influência"
ou a habilidade de persuadir pessoas a fazer coisas, "prestígio" ou reconhecimento
público e respeito, "independência" ou liberdade para evitar exigências
feitas por autoridades" e "cargos" que representam um determinado estatuto
ou papel a que a autoridade, prestígio e/ou poder são inerentes.
Todos estes aspectos podem estar distribuídos de diferentes formas, entre
os sexos, em várias sociedades.
...
Num dos documentos da colecção citada
acima, Sanday, numa análise comparativa, isola três factores que contribuem
para esta variação. Ela faz notar que a reprodução, subsistência
e defesa são vitais para a sobrevivência e que a primeira, reprodução,
limita a participação feminina na terceira, defesa. A contribuição
feminina para a segunda, subsistência, é a mais importante para determinar
o seu estatuto. As mulheres podem ou não produzir bens vitais, mas se
os homens possuem controlo desta produção ou da sua distribuição, o
estatuto das mulheres será mais baixo. Na sociedade descrita abaixo,
as mulheres possuem, efectivamente, controlo sobre os bens produzidos,
o que não leva, necessariamente, ao antagonismo entre sexos ou ao reconhecimento
das mulheres nas esferas espiritual ou religiosa (Sanday 1974:196)
Ambas são aplicáveis, com algumas limitações, mas uma terceira alternativa
sugerida por Bleak (1975 e ss.) parece ser mais apropriada: a camuflagem
do poder das mulheres sob a ideologia que expressa domínio masculino.
..
......
Bleek argumenta que esta aparência
exterior de respeito e cortesia das mulheres para os homens impede potenciais
conflitos e protege a posição sócio-económica de que as mulheres desfrutam
substantivamente. O objectivo aqui não é documentar a disparidade
entre aparência e realidade, como Bleek já fez para uma comunidade vizinha
e semelhante. mas analisar os factores sociais e culturais desse poder
disfarçado.
...
Mesmo que este não seja um artigo
teórico, devem ser feitas menções relativas a pressupostos contributivos
para a análise. Cultura
(C) é vista como sendo composta. de um número de variáveis (TEPSIW)
que se podem considerar como dimensões
culturais: tecnologia, economia, política, instituições sociais,
ideologia e visão global. Considera-se que cada dimensão compreende
um grau de dependência ou independência enquanto variával, mas a fusão,
em ordem descendente, começa com o mais dependente (T) acabando no menos
dependente (W). Novas ferramentas são de mais fácil introdução
numa sociedade do que novas idéias sobre o certo e o errado. Todas
estas (TEPSIW), contudo, consistem
em comportamento humano assimilado, isto é, cultura. Cada uma delas
considera-se em mudança e cada uma destas mudanças afecta, supostamente,
o estatuto da mulher, considerado aqui como uma variável dependente. Na
comunidade descrita abaixo, uma variável intermédia é descrita extensivamente:
estrutura, particularmente a estrutura dos grupos de descendência matrilinear.
Em termos matemáticos, considerar-se-ia Y = I (x) em que Y é a variável
dependente, o estatuto das mulheres com respeito pelos homens, o que é
uma função da cultura (C). A fórmula pode ser mais explícita, sendo
I (x) = D C = a + bT + cE + dP + eS + fI + gW, onde TEPSIW se refere às
dimensões culturais supramencionadas. A constante "a" designa a
persistência aparente de certos aspectos do estatuto feminino em vez das
mundaças consideráveis em todas estas dimensões. –
mudanças que levariam a esperar-se igualmente mudanças no estatuto das
mulheres. Esta anomalia aparente pode ser compreendida, porém, pela introdução
de uma variável interveniente, a estrutura da matrilinhagem.
...
Como outras superorgânicas
ou variáveis culturais, a matrilinhagem sobrevive por adaptação, e a
persistência aparente do relativamente elevado estatuto feminino, face
à introdução de mudanças culturais que implicariam o fim deste estatuto,
pode ser atribuída a processos causais de reacção, através dessa variável
interventiva. Por forma a entender a posição das mulheres na sociedade
Akan e as suas mudanças, a matrilinhagem deve ser primeiro compreendida.
...
...
A linhagem materna não é o reflexo
da linha paterna. As sociedades matrilineares diferem tanto das sociedades
patrilineares como das bilaterais em que a instituição do casamento é,
no geral, relativamente fraca. (Schneider e Gough 1961, Goode 1963).
Bleek (1975a) documentou esta fraqueza no caso dos Kwawu, sobre quem mais
será escrito abaixo. O recrutamento de membros para grupos corporativos
por via de descendência apenas de linhas femininas, resulta em certos
tipos de prestígio e influência inerente às mulheres que estas poderão
não ter noutras sociedades em que são dominadas por, ou possuídas por,
ou de quem se espera subserviência a, primeiro o pai e depois o marido.
Outras comparações poderão ser feitas, mas o propósito aqui não é
comparar a matrilineariedade com outras formas, antes identificar elementos
do acesso feminino ao poder e prestígio numa complexa sociedade matriarcal,
e depois examinar os efeitos da ocidentalização, industrialização e
urbanização.
...
O elemento da descendência matrilinear
é um importante factor em análise. Mostrar-se-á que o acesso informal
ao poder e influência, e o ocasionalmente formal (institucionalizado)
conhecimento desse acesso informal, bem como à autoridade e a cargos destacados,
constituem mecanismos para a tomada de decisões (elaboração de políticas)
e reconhecimento (honra) de mulheres na comunidade.
..
Com o aumento da introdução da população
ao sistema económico capitalista multinacional, estes mecanismos, onde
sobrevivem, são enfraquecidos em funções e importância.
.
A comunidade seleccionada para esta
análise é composta por pessoas de Obo, uma cidade na escarpa Kwawu na
região Oriental do Gana. Obo tem uma população residente de cerca
de 5000 acrescida de uma população dispersa de talvez 20000 pessoas (Bartle
1978b), em que todos se consideram naturais de Obo. As pessoas não-residentes
de Obo, a maioria migrantes urbanos, identificam-se com a sua cidade-natal:
fazem visitas com propósitos sociais e rituais, constroem ou esperam construir
casa em Obo e, em último grau, esperam ser lá sepultados. 1.
...
A maior parte das descrições etnográficas
de Asante (Ashanti) aplicam-se a Obo. Como nas outras sociedades
Akan, como Asante, os cargos políticos e o poder são simbolizados pela
posse de um tamborete ancestral enegrecido. Obo enquanto "cidade" é o
local para estes tamboretes possuídos por várias matrilinhagens, confederadas
para formar a estrutura política de Obo liderada por um chefe que é o
representante da sua matrilinhagem. Como nas Cidades-Estado Gregas,
Obo e as semelhantes cidades Akan possuem grandes áreas de terrenos circundantes
em que se encontram povoações satélite. Ainda que Obo se situe
uma área rural, o facto de possuir tamboretes negros distingue-a das outras
povoações, daí que o termo "Cidade-país" (Field 1948) seja aplicável.
A sua organização política assenta, assim, na matrilinhagem –
os tribunais dos chefes representam a confederação das linhagens; a responsabilidade
principal destes é a resolução de disputas.
...
Com a tradicional estrutura política
dos Akan, Obo lidera a divisão Nifa do estado de Kwawu, tendo cinco cidades
com tamborete que lhe são subornidades, e algumas centenas de povoações
e aldeias que são satélites das seis cidades com tamborete. No
actual Conselho Tradicional de Kwawu, o chefe de Obo é um chefe parcial
e, como os outros quatro (das divisões de Adonten, Kyidom, Benkum e Gyaase),
deve obediência directa ao chefe supremo de Kwawu. Os chefes das
outras cidades com tamborete devem obediência directa ao Supremo, por
via dos seus respectivos chefes parciais. O chefe supremo de Kwawu
é um membro da Casa de Chefes da Região Oriental. Tal formaliza
o reconhecimento governamental da chefia, e complementa a estrutura legal
Ganesa que reconhece os tribunais dos chefes e o processo devido de lei
de costumes, que inclui questões territoriais, de descendência e herança
e outros princípios reconhecidos nos tribunais dos chefes. Todos
os chefes das cidades com tamborete em Kwawu são, actualmente, homens.
...
As pessoas de Kwawu partilham um passado
de migrações das mesmas áreas de origem, tal como os Asante e outras
populações Akan. Sensivelmente, desde 1742 até 1874, Kwawu foi
uma parte do Império Asante e o chefe supremo devia obediência ao Asantehene
em Kumasi. Obo era a mais relutante das cidades de Kwawu que ditaram
a proclamação de independência de Asante (1874-6) e procurou um estatuto
de protectorado junto do Reino Unido. Durante o período de "independência",
até 1888 quando a Grã-Bretanha assinou um tratado com todos os chefes
Kwawu, o chefe de Obo liderou a facção pro-Asante, que se opunha aos
missionários Suíços e Britânicos que actuavam enquanto agentes Britânicos.
...
Informações sobre Obo foram recolhidas
durante extensos períodos de associação com a cidade: Primeiro, enquanto
professor numa cidade Kwawu próxima, 1965-7; Segundo, enquanto doutorando
da Universidade do Gana; o trabalho de campo (1972-75) incluía observações
participativas extensas, pesquisa em arquivos e realização de diversos
questionários e inquéritos; Terceiro, enquanto docente na Universidade
de Cape Coast; Através de um estudo corrente sobre os migrantes de Kwawu
para o distrito de Cape Coast e visitas freqentes a Obo para contactos
sociais e de rituais, como os outros migrantes cíclicos de Obo.
Durante a pesquisa, foram obtidos contactos junto de outros migrantes de
Obo em diversas áreas rurais por todo o Gana e Costa do Marfim, onde são
reconhecidos os distantes parentes Akan, como acontece nos centros urbanos
etnicamente heterogéneos.
...
Já descrevi noutro local (Bartle
1978b) a organização social de Kwawu, com especial atenção à migração
cíclica que compreende uma comunidade dispersa com uma dimensão quatro
vezes superior à da população residente. A natureza mutuamente exclusiva
mas complementar das famílias conjugais e grupos de descendência de linha
maternal, e a resolução de conflitos inerentes a estes, deve ser compreendida
no contexto da migração cíclica.
...
Em tempos remotos, as campanhas militares
foram endémicas na floresta tropical, e as comunidades que residiam em
povoações nucleares das linhagens confederadas sobreviveram, desenvolveram-se
e expandiram-se. Este teatro de guerra foi exacerbado pelas exigências
de escravos no litoral. Os Akan sobreviveram a este cenário e, eventualmente,
substituíram vários grupos Guan, que haviam vivido em comunidades numa
organização patrilinear mais liberal nas mesmas áreas.
...
...
As povoações espalhadas estavam bem
relativamente à defesa, mas a sua população crecente necessitava de
explorar territórios florestais cada vez mais, a partir de cada núcleo,
com fins de cultivo. O crescimento de cidades satélite foi a solução,
e as migrações cíclicas contribuíram para a sua continuidade enquanto
sectores integrais da comunidade móvel, isto é, enquanto complemento
aos núcleos. As crianças eram criadas na segurança da sua cidade-natal,
sobretudo pelas irmãs das suas mães ou pelas mães destas. Quando
ficavam mais velhos, moviam-se para aldeias e vilas satélite para caçar
e cultivar. Na maturidade, realizavam visitas frequentes à cidade-natal
para funerais e outros eventos cerimoniosos; e para resolver disputas.
As esposas que tinham vivido juntas nos satélites separavam-se, por regra,
durante as visitas à cidade-natal; cada uma ficando na casa da sua respectiva
linha materna. Paralelamente ao envelhecimento de cada pessoa, as
relações conjugais perdiam importância, enquanto que as responsabilidades
e interesses da linha maternal aumentavam, inversamente. A residência
tendia a mudar novamente, de volta à cidade original, especialmente para
os que assumiam postos ou cargos de importância na sua matrilinhagem.
Os ciclos de vida ficavam completos com o regresso final para o sepulcro
na cidade-natal. Os rumos da vida estavam, assim, ligados à dinâmica
migração cíclica e mobilidade espacial, que era o elemento fundamental
das comunidades consistentes em povoações e seus satélites, que se complementavam
umas às outras.
...
Este padrão de mobilidade resistiu
até ao presente, mas agora com a residência das pessoas de Obo em áreas
rurais e urbanas durante certos períodos das suas vidas. A urbanização
não foi resultado, necessariamente, da transferência permanente das populações
do meio rural para a cidade. Os filhos de migrantes urbanos são
geralmente criados no ambiente matrilinear da cidade-natal, migrando depois
para localidades urbanas e rurais, onde vivem por vários anos nas suas
novas residências conjugais e reformam-se, eventualmente, voltando à
cidade-natal da sua linha materna.
...
As mulheres reformam-se geralmente
antes dos homens, e tendem a viver por mais anos, contribuindo para uma
população nestas cidades maioritariamente composta por mulheres e crianças.
A totalidade dos adultos residentes passou algum tempo fora de Obo, e a
maioria destes passou pelo menos uma parte deste tempo a viver em áreas
urbanas. Durante as visitas à cidade-natal, especialmente para ocasiões
cerimoniais e rituais, a residência matrimonial, associada às localidades
de acolhimento, é suspensa, e a esposa passa a habitar bi-localmente.
Decorre daqui a tradicional etnografia colonial "modelo Ashanti" em que
cada esposa fica com a sua respectiva linha maternal (crianças a correr
da casa da mãe para a casa do pai em cada noite, a carregar potes cheios
de refeições). A família nuclear não
é a pedra basilar de construção nas sociedades bilaterais, nem está
incorporada nas linhagens como nas sociedades patrilineares, em que a mulher
se torna membro da linha paterna do marido. A família nuclear temporarária
deve ser vista como complementar ao grupo de descendência colectiva e
a este subordinada, embora seja parte vital de uma dinânima superior do
sistema de parentesco de linha materna (Bartle 1978b)

...
O poder e prestígio afecto às mulheres
na comunidade deve ser visto no contexto desta estrutura dinâmica, e mudanças
num indicam mudanças no outro. Não sendo possível viajar ao passado
para medir o poder e o prestígio de modo a comparar com o presente, certos
indicadores podem ser úteis: Relatos orais, relatos de Europeus contemporâneos
e resquícios de várias funções e instituições. A linha maternal conferia
certos direitos e acesso ao poder às mulheres, mesmo não sendo a sociedade
um matriarcado. Excepto em casos específicos, as seguintes generalizações
da estrutura aplicam-se desde o período pré-colonial até ao presente,
em que o trabalho nos campos era levado a cabo.
...
Antes de examinar a estrutura da matrilinhagem
e as políticas consequências que afectavam a posição feminina, é pertinente
fazer alguns comentários sobre a economia. A independência económica
das mulheres era um factor vital que afectava a estrutura social.
As mulheres eram produtoras rotineiras. Enquanto os homens caçavam
esporadicamente, animais selvagens, wove kente,
extraíam
vinho de palma ou participavam na guerra e política,
as mulheres produziam comida continuamente. O
cultivo era visto como uma extensão dos trabalhos domésticos ("integração
vertical" no jargão económico); as mulheres alimentavam a população.
Possuíam acesso à terra da sua matrilinhagem, ou algumas vezes à dos
seus maridos, e tomavam as suas próprias decisões produtivas. Ninguém
lhes disse o que plantar ou colher, e elas podiam comer ou vender o produto,
ou ainda usá-lo para cozinhar para os que eram obrigadas a alimentar.
A independência económica extendia-se ao artesanato, ou actividades comerciais
. A mais comum e lucrativa actividade era a cerâmica
; O comércio era principalmente de comida, roupa ou utensílios.
Esta independência económica não era apenas a base para a indenpendência
dos pais, maridos e tios, como descrito abaixo, oferecia também um meio
de mobilidade social. Algumas comerciantes femininas abastadas possuíam
um capital considerável, pelo que exerciam certa influência dos assuntos
da comunidade. O que deve ser tido en consideração na análise
dos factores estruturais que afectavam as mulheres.
...
...
A sociedade estava construída de acordo
com confederações hierárquicamente distribuídas de grupos de descendência
maternal: A filiação no grupo era pela nascença –
Uma pessoa podia pertencer apenas à linha da sua mãe, e não à do pai
(excepto no caso das escravas, cuja descendência as tornava parte das
sublinhagens subordinadas ao dono dos escravos) enquanto regras exogâmicas
proíbiam um casal de pertencer às mesma linhagem. Histórias orais
demonstram que as origens da maioria de linhagens Akan têm descendência
feminina com base numa "velha mulher", que "fundou" cada linhagem ou segmento
desta. Membros de uma linhagem possuídora de tamborete devem descender
da mesma mulher para ser considerados adehye (por falta de uma palavra
equivalente, é normalmente mal traduzida como "real" –
damos aqui preferência ao vernáculo) ou um "puro" membro da linha maternal.
As descendentes das escravas de homens membros da matrilinhagem eram também
consideradas membras, mas não adehye, sendo normalmente proibidas
de suceder ao tamborete, isto é, de ter cargos de autoridade na linhagem.
Esta proibição podia ser afastada temporariamente se não houvesse um
candidato apropriado entre os adehye.
...
Ainda que os líderes formais das linhagens
normalmente fossem masculinos, embora nem sempre, eles deviam a sua filiação
e cargo a mulheres (mães) e estavam sempre muito preocupados com a capacidade
procriativa dos membros femininos. Quanto maior a linhagem, mais
importante o seu líder. Aos olhos dos membros masculinos da linhagem maternal,
os números das suas irmãs de descendência era mais importante do que
o seu estado civil.
...
Uma importante fonte de independência
feminina, relativa ao domínio masculino, nasceu da estrutura matrilinear
em si. Pais e paridos das mulheres não pertencem ao mesmo grupo
de descendência, tal como as filhas e mulheres destes homens. Um
pai podia não ter controlo da sua filha como teria num sistema paternal,
porque a filha não pertencia à mesma linhagem que o seu pai. Quando
uma rapariga morava numa residência conjugal, mesmo temporariamente, que
incluía o seu pai e a sua mãe, esperava-se que servisse e obedecesse
ao seu pai. Algumas raparigas passaram a sua infância com os seus
pais, porém, tendo em conta o ciclo migrativo apresentado acima: As esposas
eram frequentemente separadas, especialmente em casamentos , e os filhos
dos migrantes eram enviados de volta à sua cidade-natal para serem criados
pelos parentes femininos da matrilinhagem. Esta independência mantinha-se
até à idade adulta. Um marido não possuía controlo sobre a sua
mulher (como teria num sistema de linha paternal), já que a esposa não
se tornava propriedade ou membra da sua linhagem, e porque nenhuma esposa
perdia a filiação à sua linhagem devido a um casamento. Uma esposa
não abandonava a sua linhagem de nascimento. Um marido não podia
sustentar-se nas regras da sua linhagem, como conseguinte, para exercer
controlo sobre a sua mulher; ele não a podia forçar a obedecer a todas
as suas vontades.
...
Numa linha paternal, a unidade conjugal
pode incorporar-se na linhagem. O que não acontece na linha maternal.
No sistema Akan, a unidade conjugal está oposta à linhagem; Complementa
as suas funções, mas as pressões para a lealdade à esposa contra a
lealdade à linhagem enfraquece o laço conjugal. A força dos laços
conjugais está relacionada com o ciclo da vida e padrões de migração
cíclica. Conforme o envelhecimento da esposa, e das suas funções
reprodutivas, os interesses masculinos voltam-se para as suas linhagens.
Como anciões, de volta à cidade-natal, possuem mais respeito e mais controlo
sobre os recursos, por se envolverem nos assuntos da linhagem, do que tinham
na localização prévia, com a sua esposa. Uma elevada taxa de separação,
se não mesmo de divórcio, é instrumental para manter a descendência
da linha maternal.

...
A subordinação do casamento, na matrilinhagem,
não diminuía apenas a dependência das mulheres relativamente a pais
e maridos. O reconhecimento da importância das mulheres para a sua própria
linha fazia com que o líder masculino da sua linhagem não fosse o equivalente
a um líder patriarca de uma linha paternal. Os líderes das linhas
podiam actuar como juízes ou árbitros de disputas, mais do que como líderes
autocratas ou autoritários. A independência, prestígio e influência
das mulheres estava relacionada com a sua idade e número de descendentes.
Ainda que os cargos públicos importantes estivessem, normalmente, entregues
a homens, estes perceberam que o seu poder ou influência, e prestígio,
dependia da força económica e demográfica da sua linhagem. Esta
força dependia das actividades ocupacionais e sexuais dos homens em cada
linhagem. Os homens tinham de reconhecer, pelo menos informalmente,
a importância, para não dizer poder, das mulheres nas suas linhagens.
...
A famosa frase de Mary Kingsley acerca
de uma velha mulher sussurrante atrás de cada chefe Africano era relevante,
no mínimo, no sistema político de linha maternal dos Akan.
...
Aparte da sua independência, as mulheres
também exerciam um poder considerável dentro das matrilinhagens; Consequentemente,
tinham controlo sobre os seus tios e irmãos. As mulheres tendiam
a conhecer mais os detalhes dos seus parentes, dentro das suas linhagens,
do que os homens que, em contraste, sabiam mais acerca de procedimentos
formais e detalhes processuais da resolução de disputas nos tribunais
dos chefes. Os dois conjuntos de informações especializada complementavam-se
mutuamente na dinâmica política Akan. Os anciões masculinos da
linhagem tinham de consultar as anciãs femininas em privado, antes de
afirmar posições públicas ou decisões inerentes aos grupos de descendência,
em funerais ou no tribunal. Esta consulta era essencial nos casos
de decisões relativas a sucessões de tamborete (cargos) para substituir
membros falecidos. Entre outras considerações, por exemplo, era
determinado se cada candidato era um adehye ou um descendente de
escravos; declarações públicas de homens colocavam todos os membros
da linha maternal numa categoria (a referência pública a descendência
de escravos era proibida) sendo que as mulheres sabiam precisamente as
linhas genealógicas pertinentes na escolha do sucessor. As mulheres
tinham conhecimento especializado, não só porque suportaram as linhas
de descendência; tinham maior probabilidade de habitar na cidade-natal
por maiores períodos da sua vida e, estando menos dispersas do que os
homens, podiam contar pormenores de parentes umas às outras de forma mais
livre. Elas eram as peritas ou consultoras.
...
...
As linhagens variavam no tamanho, daí
que o número de anciões fosse variável. Uma linhagem podia ter
reconhecido menos de uma centena ou mais de algumas centenas de membros,
ainda que a segmentação dificultasse o apuramento da dimensão.
Diversas mulheres, assim, eram as depositárias de informações e conselhos
necessários pelos detentores de cargos da linhagem. Cada segmento
da linha maternal, na sua cidade natural ou aldeia satélite, tinha normalmente
pelo menos uma mulher idosa respeitada como "avó". Em discussões informais,
as idosas locais eram frequentemente chamadas de "Obapanin" (oba
=
fêmea; opanyin = anciã). Toda a linhagem enquanto conjunto único
reconhecia uma idosa que possuía este título, sendo uma sénior no poder,
se não para o resto. O reconhecimento "informal" da idosa era deste
modo formalizado por um título e estatuto específico.
...
Em linhagens maiores, mais poderosas
e mais ricas (em que a competição dentro do grupo era maior e necessitava
de mais regulação) o cargo de Obapanyin estava mais formalizado
e as mulheres recebiam o título de Ohemma (um diminuto de Ohene
= chefe, e mma = fêmeas pl.). "Ohemma" era geralmente
mal traduzido como "Rainha-Mãe" porque ela era a "mãe" oficial do chefe,
mesmo quando não era a sua mãe biológica. O título Ohemma
aplicava-se apenas, por regra, à Obapanyin de uma linhagem cujo
chefe de cidade fosse escolhido. A Ohemma de Obo possuía
tamboretes ancestrais enegrecidos próprios, aparte dos do chefe.
Ainda que tivesse um cargo no tribunal do chefe, tinha também o seu próprio
tribunal para resolver disputas (a actividade principal de chefia), particularmente
as do seu segmento de linhagem, e aquelas trazidas por mulheres que pretendiam
evitar o tribunal do chefe de Obo, mais caro e formal.
...
Cada linhagem tinha dois cargos reconhecidos,
diferentes dos de Obapanyin. Um destes era "Abusua Panyin"
(líder de linhagem, de abusua = linhagem, panyin = ancião)
e o outro era Safohene (capitão de grupo, de safo = grupo, ohene
= chefe) o que implica ser um representante do tribunal do chefe. O poder
político em tempo de paz nas comunidades Akan verificava-se mais em papéis
judiciais (resolução de conflitos) do que em funções de executivo.
Em linhagens menores, os cargos de Abusua Panyin e Safohene
eram atribuídos à mesma pessoa....
Um Safohene era normalmente masculino, mas não existia uma regra que proíbisse
as mulheres de desempenhar a função. Durante o período de pesquisa,
havia um deles em Obo, que era de uma linhagem relativamente importante
e que era presença regular nos rituais Adae de seis semanas e casos judiciais
seguintes. O outro era de uma linhagem menor e comparecia apenas
ocasionalmente. Ambas, como a Ohemma de Obo, tinham atingido a menopausa,
o que era conveniente para eles ao realizarem rituais de tamboretes ancestrais,
o que teriam de evitar cada vez que estivessem num período menstrual.
...
Estes não eram os únicos meios institucionais
para obter poder e prestígio. Tal como âmbito político-religioso
(em que a ideologia de homenagem a ancestrais afimrma uma política de
gerontocracia), a maioria dos cargos do âmbito mágico-religioso (em que
a ideologia animista afirma os esforços para assegurar fertilidade e protecção)
não eram restritos a homens, ainda que aqueles com maior prestígio formal
fossem normalmente ocupados por homens. Existiam cerca de duas dúzias
de cultos "tradicionais" em Obo e nos seus satélites, cada um consistindo
numa constelação de seres sobrenaturais, um humano (ou mais) que servia
de veículo possúido por estes espíritos, e um séquito que variava desde
alguns bateristas até um conjunto de linguistas, acólitos, cantores,
portadores de santuários, etc. Dos dos importantes veículos –
um possuído pelo antigo deus de Obo, Fofie, outro por um espírito caçador
de bruxas, Tigare, introduzido neste século –
eram homens no tempo em que se efectuavam trabalhos de cultivo. Os
restantes eram mulheres. Alguns espíritos obscuros e menores também
possuíam os homens mas, como os mais importantes, a maioria possuía mulheres.
Ainda que os intermediários normalmente continuassem a trabalhar, a sua
possessão constituía um meio para promoções, aberto a mulheres, que
ignorava o caminho económico.
...
Antes de examinar mudanças recentes,
o estatuto pré-colonial das mulheres em Obo pode agora ser resumido. Numa
sociedade gerontocrática de linha maternal, a influência e prestígio
das mulheres tendia a aumentar com a idade, expressando-se habitualmente
por meios informais, não obstante existerem posições de informalidade
formal, como as "mães" das matrilinhagens. A matrilinhagem exigia
a subordinação do casamento e deveres conjugais à lealdade e participação
no grupo de descendência. O que, combinado com as actividades económicas,
agricultura, artesanato e comércio, concedia às mulheres uma independência
considerável. As mulheres (como os anciões) tinham prestígio na
capital da linhagem, onde os tamboretes negros simbolizavam o "assento
do poder". Morar mais tempo em localidades de recepção tornáva-as
mais dependentes e subordinadas aos seus maridos, aumentando os seus deveres
conjugais. Num sistema social pautado pela migração cíclica com
base nos ciclos individuais de vida, idade, sexo e residência estavam
relacionados: Crianças, anciões e muitas mulheres moravam na cidade-natal,
enquanto que os homens em idade de trabalho e algumas mulheres moravam
em localidades de recepção, no ínicio aldeias-satélite, depois principlamente
centros urbanos e comerciais. As mulheres que demonstravam fecundidade
eram comerciantes de sucesso e muito respeitadas. Anciões masculinos
(que por regra ocupavam cargos de poder) dependiam da velha e respeitada
mulher na tomada de decisões que afectassem as suas linhagens. A
sociedade não era igualitária; aproximava-se de uma estrutura hierárquica.
Esperava-se das mulheres que respeitassem e servissem os seus superiores:
os que eram mais velhos que elas, os que pertenciam a segmentos mais poderosos
da linhagem, os que possuíam ofícios e homens adultos. 2.
Ainda que os homens dominassem notórias áreas na tomada de decisões
públicas, e actuassem como árbitros na resolução de disputas, não
podiam exercer um poder autrocático dado o poder do lado feminino.
Este é o significado da ginocracia encoberta que dominava a sociedade
Akan pré-colonial, como no exemplo de Obo.
...
Obo, como todas as comunidades, está
num processo de mudança contínuo. O modelo acima descrito não
é final ou absoluto, mas uma representação da estrutura social e a da
posição das mulheres antes dos dias coloniais em que diversas mudanças
foram introduzidas em todas as dimensões culturais. Estas mudanças
eram geralmente acretivas (adicionando novo ao velho) e não revolucionárias
(substituição do velho pelo novo) ainda que certos aspectos se tenham
tornado obsoletos: por ex., poucas pessoas levam agora cinco dias a chegar
a Accra como acontecia no início do século. Os tribunais dos chefes
já não detêm o poder de executar criminosos condenados. A comunidade
dispersa de Obo tem sido exposta a influências extrínsecas, desde que
foi fundada há uns séculos atrás. A comunicação através do
Saara existiu por milhares de anos, e o comércio com os Europeus teve
início há cinco séculos atrás.
...
As mudanças tecnológicas mais apreciáveis,
porém, ocorreram durante o ultimo quarto do século XIX e primeiro quarto
do séc. XX. Mudanças subsequentes, urbanização, ocidentalização e
industrialização parecem continuar na mesma direcção, mas agora sem
a única aceleração anterior. Ainda que instituições antigas
tenham sobrevivido por se terem adaptado às novas condições, em termos
de cultura total já não dominam; coexistem contemporâneamente com instituições
de introdução recente.
...
...
Na medida em que podem ser classificadas
por diferentes planos culturais elencados acima, estas mudanças podem
ser analisadas à vez: tecnologia, economia, política, sociedade, ideologia,
ritual.
...
As mudanças nos planos tecnológico
e económico surgiram como resultado da crecente integração de Obo e
dos seus vizinhos na rede económica global. Os modelos de produção
expandiram-se. A agricultura, comércio e artesanato foram subrepostos
pelo emprego remunerado, cultivo intenso e aumentos na formação de capital.
Os homens, mais do que as mulheres, tornaram-se parte destas novas actividades,
sendo introduzidos por homens que acreditavam que estas actividades deviam
excluir as mulheres.
...
Os trabalhos agrícolas, por exemplo,
centraram-se no aumento da produção de cacau, sendo conduzida mais para
homens do que para mulheres e para pequenos campos de cultivo. Os
empregadores, primeiro apenas Europeus, procuraram homens para trabalhar
como escriturários, etc. Só mais tarde as mulheres puderam entrar
no mercado de trabalho, e geralmente em níveis de rendimento e prestígio
mais baixos.
...
O sexismo económico veio com o capitalismo
económico Europeu, que trouxe as instituições comerciais e industriais.
As pessoas de Obo na comunidade dispersa estavam em contacto com a economia
de mercado costeira de tempos antigos, mas a partir de 1876 os Europeus
chegaram a Kwawu – os missionaríos Suíços
de Basileia que contrataram gente para cortar madeira, fazer tijolos e
construir as sedes da missão (cfr Jenkins 1970). Não contrataram
mulheres.
Ensinaram as mulheres a coser e a serem úteis enquanto donas de casa,
mais do que a ser economicamente independentes.
...
Durante os séculos XVIII e XIX, Obo
teve uma importância crescente enquanto centro de comércio, directamente
ligada às rotas de comércio de e para Kumasi, Salaga, Akyem, Accra e
a ligação do Volta à costa; como tal, era um entreposto de sucesso.
Atraía numerosos estrangeiros. Em 1902, de acordo com o censo de
1911, era ainda o quarto maior centro populacional da Costa do Ouro, a
seguir de Acra, Cabo Corso e Kumasi. Como uma localidade de recepção
para numerosos, principalmente homens, comerciantes de longas distâncias,
Obo negociava escravos, sal, cola e produtos Europeus. Obo era um
mercado preparado para receber os produtos das mulheres agriculturas e
cozinheiras, que os vendiam à população itinerante. Com a vinda
da Pax Britainica, e eventualmente com a ferrovia entre Kumasi e Acra,
concluída em 1923, seguida da auto-estrada, a rota de comércio foi desviada
para as terras baixas do Sul, passando por Nkawkaw, um dos satélites de
Obo. A população residente de Obo diminuiu enquanto a comunidade
continuava a dispersar-se. As mulheres procuraram outros mercados
afastados de Obo, e encontraram novos mercados para a sua comida no sul,
durante a grande corrida ao cacau até Akyem. Kwawu tornou-se no
"cesto de pão" do Sul (Crowther 1907) e mais tarde, com o crescimento
de Accra, as mulheres de Obo entraram no mercado de comida urbana.
...
As mulheres de Obo continuaram a desempenhar
um papel importante no mercado de Acra, sendo confundidas com frequência
com as Ga, sendo fluentes na sua língua. Seguiram também a migração
do cacau para Asante e depois Brong Afaho. Ao contrário do mercado
de trabalho orientado para homens, as mulheres de Obo conseguiram adaptar
a sua tradicional independência económica no cultivo e comércio à sociedade
comercial urbana. Tornaram-se parte integral da economia urbana.
...
As mudanças no plano social ou institucional
vieram como resultado da introdução de novas instituições que funcionam
num moderno e industrializado estado-nação, e o relativa, para não dizer
absoluto, declínio das funções das instituições assentes no parentesco.
As migrações cíclicas continuaram para as aldeias-satélite, mas as
expedições comerciais de longa duração diminuíram, favorecendo longos
períodos de residência em localidades de acolhimento que, como centros
de comércio, possuíam uma tendência crescente para ser urbanas.
Alguns autores, comparando um presente urbano com um imaginário passado
rural, afirmaram que estes factos resultaram em mais liberdade e independência
para as mulheres e uma correspondente crescendo nas taxas de divórcio.
(cfr. Peele 1972). Afirmar o oposto parece ser mais adequado (cfr Blake
cit. op.). Longos períodos de residência fora da capital da matrilinhagem
podem significar que uma maior porção da vida de cada mulher será passada
em novos grupos de residência conjugal.
...
As mulheres mais educadas e ocidentalizadas,
interiorizaram, mais provavelmente, morais e atitudes assentes na ideologia
Cristã Europeia, e são mais prováveis de estar casadas com maridos altamente
escolarizados que fazem parte dos grupos de elevado rendimento (ver Oppong
1975) e têm, deste modo, maior probabilidade de estar numa situação
de dependência conjugal do que as analfabetas. Podem estar nesta
situação, apesar da sua formação para ocupar cargos bem remunerados.
As analfabetas possuem, ainda, meios para promoções e independência
dos seus maridos.
...
As novas instituições, como a banca,
as forças armadas, a polícia, o sistema judicial, as grandes empresas
comerciais e estaduais, e o serviço público veio substituir algumas das
funções dos grupos de descendência materna: A acumulação e transferência
de capital, a defesa, o controlo social, a justiça e a actividade política
de governo. O que pode ter tido como resultado o declínio dessas
funções na linhagem maternal. Pode ser afirmado, todavia, que a
maioria das funções das novas instituições são dirigidas às necessidades
sociais e económicas da moderna sociedade urbana, necessidades que não
existiam na prévia sociedade agrária. Como é que estas funções
decaíram na linhagem maternal se não existiam anteriormente? Algumas
funçoes da matrilinhagem sofreram um declínio, porém, e dentro do conjunto
da estrutura social nacional, a importância relativa da matrilinhagem
diminuiu. As linhagens sobreviveram, contudo, adaptando-se às mudanças,
condições urbanizantes, e vão continuar a fazê-lo enquanto o estado
reconhecer a liderança, o direito consuetudinário relativo às heranças
e casamentos e o sistema de posse de terras. Enquanto estes continuaram,
a matrilinhagem sobreviverá. Daí que o estatuto encoberto das mulheres,
supramencionado, continuará, de forma diferente.
...
...
O desenvolvimento de um sistema de
mercado para a troca de trabalho está a levar ao crescimento de um par
de classes, uma subsistindo pela venda do seu trabalho e a outra possuídora
de capital. A comunidade dispersa de Obo não é excepção a este
processo. O crescente número de fábricas à volta de Nkawkaw é
evidêndia deste desenvolvimento na área rural, que foi um forte traço
identificativo de Acra por muitos anos. Devido à tendência a contratar
apenas homens, e conceder empréstimos a homens, este processo tende a
ignorar as mulheres. Além disso, a maioria dos adultos de Obo estão
envolvidos em micro-empresas (agrícolas, comerciais ou artesanais) onde
fornecem tanto capital como trabalho. O interesse contínuo dos migrantes
urbanos na sua cidade-natal, onde esperam um dia voltar, dificulta o desenvolvimento
de um proletariado urbano alienado, contribuíndo para uma lenta formação
de classes opostas de trabalho e capital (Bartle 1978b). Enquanto
esta diferenciação de classes não se desenvolver, as mulheres continuarão
a obter poder e prestígio como descrito (Ver supra).
...
As mudanças no plano ideológico e
objectivos de socialização, foram introduzidas principalmente pelos missionários,
inicialmente os de Basileia, Suíça. Mesmo antes de Kwawu se tornar
um protectorado Britânico em 1888, os missionários estavam a pregar os
valores da monogamia e dependência feminina. Enquanto treinavam
jovens na carpintaria, ferragens e maçonaria, eles tentaram ensinar às
jovens raparigas a cosertomar conta
de crianças e cozinhar. Afirmaram objectivos de "treinar raparigas
a ser donas de casa úteis e submissas". Com a fundação das escolas,
primeiro por Basileia, depois por outras missões, as raparigas não eram
encorajadas a ter aulas, o que se reflectia nos seus seus programas de
estudos. 3. Ao contrário do animismo tradicional
e culto de ancestrais, que permitia o acesso feminino a estas posições,
os sacerdotes e catequistas eram todos homens. Os valores transmitidos
pelos missionários podem ter sido instrumentais para uma sociedade puritana
Europeia em que a famiília núclear (resultando daqui a dependência da
mulher) era a pedra basilar da sociedade. Apenas os homens eram treinados
para ganhar dinheiro, enquanto as mulheres eram ensinadas a servir os homens,
sem pagamento, em casa. A vinda dos Cristãos para a África Subsariana
tornou clara as suas objecções a elevadas taxas de separação e divórcio,
residência conjugal bilocal, grandes funerais para anciões da linhagem,
mulheres móveis e independentes, "adoração" (homenagem) a ancestrais
e espíritos tutelares e grupos de descendência de linha maternal; a todas
as instituições que contribuíram para a continuação da matrilinhagem
e os seus corolários, independência, poder e prestígio, ainda que informal,
das mulheres. Após cerca de um século de proselitismo, que resultou
numa população nominal Cristã de 60% na comunidade dispersa de Obo,
os Cristãos tinham ainda um longo caminho a percorrer para eliminar estes
atributos. O crescimento dos cultos salvadores sincretistas, caracterizados
pela maior participação política das mulheres do que nas igrejas missionárias
Cristãs estabecidas antes destes, pode ser visto como uma adaptação
institucional à introdução de novas (ex. Cristãs) crenças, que permitie
a continuidade da elevada participação e poder informal das mulheres.
Apesar de algumas incursões em declarações ideológicas, os valores
mais profundos, atitudes e crenças mantêm-se, contribuíndo indirectamente
para impedir o declínio do acesso tradicional ao poder, que podia acompanhar
a introdução de ideiais inerentes à ocidentalização.
...
Todas estas mudanças afectaram a estrutura
e dinâmica organizativa de toda a comunidade dispersa de Obo, já que
cada membro reside alternativamente na sua cidade-natal ou em localidades
urbanas ou rurais de acolhimento, circulando por todo o sistema.
O que é notável, considerando as numerosas mudanças na tecnologia, economia,
política e ideologia, é a persistência do sistema de linha maternal
de descendência e herança, a propriedade cooperativa da linhagem de terras
e outras coisas, os tribunais dos chefes para resolver disputas e, assim,
a continuação do poder informal, prestigio e participação política
das mulheres no em toda a comunidade. O casamento continua a ser
fraco. O líder da linhagem não se tornou num patriarca. As
mulheres continuam com rendimentos independentes. Os meios de mobilidade
através do comércio ou acesso a cargos políticos ou religiosos continuam
a funcionar. A cidade-natal continua a ter um número de mulheres
superior ao de homens, próximas ao assento do poder. Os cultos de
salvação Cristãos e sincréticos oferecem às mulheres alternativas
para promoções sociais, como os restantes cultos a divindades tutelares.
Os anciões continuam a procurar conselhos e apoio junto das mulheres,
nas suas linhagens, antes de fazer declarações públicas ou afirmações
políticas nos tribunais dos chefes ou em funerais. As mulheres continuam
a ganhar riqueza e independência, como empresárias
no mercado agrícola, através do cultivo e do
comércio. As mulheres continuam a usufruir de independência dos pais
e maridos, sem obedecer totalmente aos seus tios da linhagem. Em
suma, o poder das mulheres não entrou em declínio tão rapidamente como
as mudanças superficiais na sociedade poderiam fazer prever; Com o aumento
na industrialização, urbanização e ocidentalização, porém, este
declínio continuará paulatinamente.
...
Poder-se-ia afirmar que o crescimento
do capitalismo no Gana não resultaria numa diminuição da independência
das mulheres, e depois mencionar o relativamente alto nível de liberdade
e mobilidade nas sociedades capitalistas ocidentais da Europa e América
do Norte. Mesmo os documentos de Obo podem ser usados para afirmar
a teoria. A sobrevivência dos migrantes de Obo revelou a promoção social
de algumas mulheres nos sectores modernos; Patentes médias no exército,
inspectoras de polícia, funcionárias públicas superioras, matronas de
hospital. Mas não teria grande propósito. Nas fases iniciais
do crescimento do capitalismo houve sempre discriminação, opressão e
restrições impostas a certos grupos étnicos, trabalhadores; e mulheres.
Foi esse o caso no início da revolução industrial Europeia, da escravatura
do açúcar nas Américas, e ao longo do último século no Gana.
Os movimentos de emancipação feminina que despontaram por toda a Europa
e América são relativamente recentes, pertencendo a fases mais tardias
do capitalismo, e poderão aparecer em fases próximas no Gana. As
mulheres de Obo, no presente, gozam de uma independência que ultrapassa
largamente a da maioria das mulheres (especialmente de meios rurais) na
Europa e América. À medida que o Gana se "ocidentaliza", o poder
das mulheres diminui. Contudo, o Gana não se industrializará ou
urbanizará necessariamente da mesma forma que a Euro-América, pelo que
a opressão das mulheres poderá não se tornar tão extrema como o foi
nas etapas iniciais do capitalismo Ocidental. 4.
...
Enquanto os chefes
continuarem a ser reconhecidos como parte da estrutura política nacional,
e os seus tribunais funcionarem na resolução de disputas dentro e entre
as linhagens maternais; Enquanto os chefes não forem designados pelo governo,
nem eleitos por voto popular secreto, mas entronados pelos anciões da
matrilinhagem; Enquanto o sistema jurídico nacional reconhecer o sistema
de propriedade "tradicional" de terras, de posse colectiva da linhagem,
e reconhecer leis "consuetudinárias" relativas ao casamento, divórcio
e heranças e sucessões matrilineares –
a matrilinhagem sobreviverá, por adaptação, aos novos, urbanos e industriais
requisitos sociais. Enquanto sobreviverem as matrilinhagens em Obo,
com o casamento enfraquecido pelas obrigações para com os grupos genealógicos,
a ginocracia encoberta será próspera.
...
...
Notas finais
..
1. Nos aspectos apresentados,
não diferem muito da população do Sul do Gana, como documentou Caldwell
(1969).
..
2. Bleek já documentou os contrastes
entre a aparência e a realidade numa cidade vizinha de Obo, em Kwawu,
em que a ideologia aberta da servidão feminina contrastava com a sua independência
social e económica (Bleek 1975). "Para um observador superficial,
a posição das mulheres no Kwawu rural caracteriza-se pela subordinação.
... Elas estão na realidade a controlar a situação. Atráves
do seu comportamento como objectos, escondem o seu poder real, tanto no
plano social como económico." (1975b:52,63).
..
3. Estou em dívida para com
o Dr. Agnes Aidoo do Departamento de História, Universidade de Cape Coast;
por destacar isto num seminário recente.
..
4. Pode ser feita uma analogia
com as marcas deixadas pelas duas rodas de uma bicicleta. A roda
da frente, representando a Euro-América, primeiro, caracterizada por grande
variação; esta representa graus de opressão e liberdade. A roda
traseira, representando as sociedades do terceiro mundo, de seguida, não
apresentando tanta variação.
..
...
Referências citadas
Aldous (1962) "Urbanisation,
the extended family, and kinship ties in West Africa," Social Forces,
Vol. 41, pp. 612
Baker, T. e M. Bird (1959)
"Urbanisation and the position of women," Número especial do urbanismo
na África Subsariana, K. "Little (ed.) Análise sociológica, Vol.
7, Nr. 1
Bartle P. (1978a) Quarenta
Dias: O calendário Akan, " África, Vo1. 48, Nr. 2, pp. 81-
(1978b) Urban Migration
and Rural Identity: an Ethnography of an Akan Community, Obo, Kwawu, entregue
para doutoramento, Univ. do Gana, Legon (ver Abstracto)
Bleek, W. (1972) "Geographical
mobility and conjugal residence in a Kwahu lineage," Análise de pesquisa,
Vol. 8., Nr. 5, pp. 47-55
(I 975a) Herança
de casamento e feitiçaria. Mededelingen Africastudiecentrum, Nr. 12,
Leiden
(1975b) "Appearance and reality:
the ambiguous position of women in Kwahu, Ghana," em P. Kloos e K. W. van
der Voon (eds.), Regra e Realidade, estudos em homenagem a Andre J.
F. Kobben, Amesterdão, Univ. de Amesterdão
(mss.) Birth Control and
Female Emancipation: an Example from Ghana, cyclostyled.
Caldwell, J. C. (1969) African
Rural-Urban Migration, N. Y., Imprensa Univ Columbia
Crowther (1906) Notes
on a District of the Gold Coast," Jornal trimestral do Instituto de
Pesquisa Comercial. Univ. Liverpool, Vol. 1, p.168-82.
Douglas; M. (1969) "Is
matriliny doomed in Africa?" em M. Douglas e F. M. Kaberry (eds.), O
Homem em África, Tavistock, pp. 121-36
Field, M. J. (1948) Akim
Kotoku, Agentes da Coroa para as Colónias
Fortes, M. (1969) "Time
and Social structure, an Ashanti case study." em M. Fortes (ed.), Estrutura
social; Estudos em homenagem a A. R. Radcliffe Brown, Oxford, Clarendon
Goode, W. J. (1963) Revolução
mundial e padrões de família, Glencoe, Free Press
Goody, J. (1959) "The
mother's brother and the sister's son in West Africa," Jornal do Instituto
Real de Antropologia, vol. 89, pp. 61-88
Gough, K. (1961) "The
modern disintegration of matrilineal descent groups," em D. M. Schneider
e K. Gough (eds.) Parentesco matrilinear, Berkeley, U. Calif., pp.
631-54
Hill, P. (1963) Os
agricultores de cacau migrantes do Sul Ganês, Cambridge, University
Press
Jenkins, P. (1970) Fragmentos
da correspondência da Missão de Basileia, Typewritten, The Archivist,
Basel Mission, Basel, (cópia na biblioteca de Balme, Legon, Accra)
Little, K. (1973) As
mulheres africanas nas cidades, um aspecto da revolução social africana,
London, C.U.P.
Oppong, C. (1974) Casamento
dentro de elites das linhas maternais, Cambridge University Press
Pool, J. (1972) "A cross
comparative study of aspects of conjugal behaviour among women of three
West African Countries," Jornal Canadiano de Estudos Africanos,
Vol. 6, No. 2, pp. 253
Robertson, C. (ÿ974)
"Economic Women in Africa; profit making techniques of Accra market women;"
Jornal
de Estudos Africanos Modernos, Vol. 12 p.657-64
Sanday, P. R. (1974) "Female
status in the public domain," em M. Z. Rosaldo e L. Lamphere (eds.), Mulheres,
cultura e sociedade, Stanford, Imprensa Univ., pp. 189-206.
Vercruijsse, E. V. W (1972)
"The Dynamics of Fanti Domestic Organisation: A Comparison with Fortes’
Ashanti Survey," The Hague, Instituto de Estudos sociais, (copiado).
.
...
.
Résumé
C’est la description
et l'analyse de la situation sociale des femmes dans la communauté dispersé
par des migrations cyliques de la ville d' Obo, dans le Kwawu – Région
Est du Ghana. Le systèm matrilinéaire diminue pour les femmes l’importance
du marriage et de la dépendance conjugale et leur donne dans la communauté
certaines forms de prestige, d'influence, et d’indépendance. Elles sont
habilites à exercer le pouvoir politique miis ce fait es caché par leur
idiolojie affirmée de subordination aux hommes: frères, maris, et oncles
maternals. Les progrès de l’urbanisation, de l' occidentalisation et
de I' industrialisation ont géne maIs non detruit les voies anciennes
qui permettaient l' ascension sociale; c'est à covert que la gynéocratie
poursuit son oeuvre dans la communauté moderne dispersée. (Silke Reichrath)...
...
Inhaltsangabe
Die vorliegende Abhandlung
beschreibt und analysiert die gesellschaftliche Stellung der Frauen in
den sozialen Strukturen der durch zyklische Migration geographisch zerstreuten
Gemeinde Obo in Kwawu, einer Stadt im Osten Ghanas. Matrilinearität
mindert die Unterordnung in der Ehe und die eheliche Abhängigkeit und
verleiht den Frauen der Gemeinde teilweise Macht, Prestige und Unabhängigkeit.
Die Chance für Frauen, politische Macht auszuüben, wird jedoch von der
offenen Ideologie der Unterordnung unter Männer – Väter, Ehemänner,
Onkel – zunichte gemacht. Zunehmende Verstädterung, Verwestlichung und
Industrialisierung haben die traditionellen Wege der sozialen Mobilität
geschwächt, aber nicht zerstört; ein verdeckter Gynozentrismus existiert
noch in der modernen, geographisch zerstreuten Gemeinde.
.
Resumido
Descripción y análisis
de la posición de las mujeres en la estructura de una extensa comunidad,
dispersada por la migración cíclica desde Obo, ciudad de origen en Kwawu,
en la zona este de Ghana. El sistema matrilineal tiene como resultado la
subordinación al matrimonio y a la dependencia conyugal, y concede a las
mujeres de la comunidad ciertas formas de poder, prestigio e independencia.
La posibilidad de las mujeres de detentar poder político se enmascara
tras la patente ideología de subordinación al hombre: padres, maridos
y tíos. La urbanización, occidentalización e industrialización crecientes
han debilitado, pero no destruído, los canales tradicionales de la movilidad
social. La ginocracia encubierta continua activa en la dispersa comunidad
actual. Traducción de .Mª
Lourdes Sada.
.
Resumo
Análise e descrição
da posição das mulheres na estrutura social de uma comunidade extensa,
dispersa pela migração cíclica do povo de Obo, uma terra natal em Kwawu,
na região oriental do Gana. A matrilinhagem resulta em subordinação
ao casamento e dependência conjugal, atribuindo determinadas formas de
poder, prestígio e independência às mulheres na comunidade. A capacidade
das mulheres deterem poder político é escondida pela ideologia observável
de subordinação aos homens: pais, maridos, e tios. A crescente urbanização,
ocidentalização e industrialização têm enfraquecido, mas não destruído,
os canais tradicionais de mobilidade social; ginocracia dissimulada continua
a funcionar na comunidade dispersa moderna. (Inês Rato)
.
Samenvatting
De plaats van de vrouwen
in de sociale structuur van een verspreide gemeenschap, veroorzaakt door
periodieke migratie van mensen van Obo, een thuisstad in de stad Kwawu,
in het oosten van Ghana, is beschreven en geanalyseerd. Matriliny resulteert
in de ondergeschiktheid van huwelijk en echtelijke afhankelijkheid en wijst
bepaalde vormen van macht, prestige en onafhankelijkheid toe aan vrouwen
in de gemeenschap. De capaciteit van vrouwen om politieke macht te hanteren,
wordt verborgen door de openlijke ideologie van ondergeschiktheid aan mannen:
vaders, echtgenoten en ooms. Verhoogde urbanisatie, verwestering en industrialisatie
hebben de traditionele kanalen van sociale mobiliteit verzwakt, doch niet
vernietigd; heimelijke gynocracy blijft echter voortduren in de moderne
verspreide gemeenschap. (Joyce Maskam)
.
Sintesi
Questo articolo descrive
e analizza la posizione delle donne nella struttura sociale di una comunità
“dispersa” a seguito delle migrazioni cicliche dalla città di Obo
nel Kwawu, nella zona orientale del Ghana. Il sistema matrilineare determina
la subordinazione al matrimonio e la dipendenza coniugale, pur concedendo
alle donne della comunità un certo grado di potere, prestigio e indipendenza.
La possibilità di accesso al potere politico da parte delle donne viene
mascherata da un’esplicita ideologia di subordinazione all’uomo: padre,
marito e zio materno. I processi di crescente urbanizzazione, occidentalizzazione
e industrializzazione hanno indebolito ma non distrutto i canali tradizionali
della mobilità sociale; forme nascoste di ginocrazia continuano a operare
nell’odierna comunità dispersa. (Anna Bosi)
'...
Abstract
The position of women
in the social structure of an extended community, dispersed by cyclical
migration of people from Obo, a home town in Kwawu, in the Eastern Region
of Ghana, is described and analysed. Matriliny results in the subordination
of marriage and conjugal dependence, and allocates certain forms of power,
prestige, and independence to women in the community. The ability of women
to wield political power is hidden by the overt ideology of subordination
to men: fathers, husbands, and uncles. Increased urbanisation, westernisation,
and industrialisation have weakened but not destroyed the traditional channels
of social mobility; covert gynocracy continues to operate in the modern
dispersed community.
...
| Este
artigo foi elaborado por pedido no Conselho Nacional do Gana de Desenvolvimento
e Mulheres. Agradecimentos a Bridget Levitt, Rina Okwonkwo,
Mireille Peltier, Maggy Hendry, Beverly Houghton, e Christine Oppong, que
leram e comentaram rascunhos iniciais; os erros são da minha responsabilidade. |
.
––»«––
.
Introdução à planta |
Cultivo |
Aproveitamento |
Comércio |
Outros |
.ima